Ciência e Fé: Nossa Visão de Mundo

Data de publicação: 06/12/2011
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Edição 10 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 10

Por: Francis Schaeffer

A maneira como agimos em nosso dia-a- dia é resultado de uma “visão de mundo”, e esta visão se baseia no que nós consideramos ser a verdade. O que tem produzido o dilúvio de maldade na história da humanidade é a visão de mundo que diz que toda a realidade é composta somente de matéria. Algumas vezes esta visão é chamada de naturalismo, porque afirma que o sobrenatural não existe. O humanismo que se centraliza somente no homem e faz dele a medida de todas as coisas geralmente é materialista em sua filosofia. Seja qual for o rótulo, esta é a visão de mundo que permeia nossa sociedade hoje. De acordo com esta visão, o universo existe, não porque tenha sido criado por um Deus “sobrenatural”, mas sempre existiu em alguma forma, sendo que a forma atual é apenas o resultado de acontecimentos que ocorreram por acaso há muitos e muitos anos.

Por muito tempo a sociedade no ocidente se baseou no fato de que Deus existe e de que a Bíblia é a verdade. De muitas formas e maneiras esta visão afetou a sociedade. A visão de mundo materialista, naturalista ou humanista sempre teve uma atitude de superioridade em relação ao Cristianismo. Aqueles que sustentam esta visão argumentam que o Cristianismo não é científico, isto é, não pode ser provado, e que pertence apenas ao campo da “fé”. Dizem que o Cristianismo se baseia somente em fé, enquanto o humanismo se baseia em fatos.

Portanto, alguns humanistas agem como se tivessem uma grande vantagem sobre os cristãos. Agem como se o avanço da ciência e da tecnologia e um melhor entendimento da história (através de conceitos como a teoria da evolução) tivessem tornado a idéia de Deus e da criação quase ridícula.

Esta atitude de superioridade, porém, é estranha, porque um dos desenvolvimentos mais marcantes da última metade do século é o crescimento de um profundo pessimismo tanto entre as pessoas mais cultas quanto entre as menos cultas. Os pensadores de nossa sociedade já admitem há um bom tempo agora que não possuem nenhum tipo de resposta. Eles concluíram, entre outras coisas, que a vida não leva para nada e para nenhum lugar, que o homem é apenas parte da natureza, assim como uma pedra, um cacto, ou um camelo. Esta visão é fruto direto da posição humanista de que tudo que existe não passa de matéria ou de alguma forma de energia – tudo que existe sempre existiu e tudo que existe em nosso mundo agora é apenas matéria numa forma mais ou menos  complexa. De acordo com esta visão, homens e mulheres são apenas mais complexos, mas não singulares. São meramente um arranjo diferente de moléculas. Dentro dessa visão de mundo, não há espaço para crer que um ser humano possua no final algum valor  que o distinga de um animal ou de matéria inanimada.

Há, portanto, dois pontos que precisam ser afirmados sobre a visão de mundo humanista.  Primeiro, a atitude de superioridade em relação ao Cristianismo – como se o Cristianismo tivesse todos os problemas e o humanismo todas as respostas – o que está longe de ser verdade. Os humanistas do Iluminismo de dois séculos atrás pensaram que iriam achar todas as respostas, mas à medida que o tempo passou, esta esperança otimista provou-se errônea. Seus próprios descendentes, aqueles que compartilham sua visão de mundo materialista, têm dito mais e mais alto com o decorrer dos anos: “Não há nenhuma solução.”

Em segundo lugar, esta visão de mundo humanista nos tem levado para a atual desvalorização da vida humana – não a tecnologia ou a super-população – embora essas coisas contribuam para isso. E esta mesma visão de mundo não nos tem proporcionado limites para nos impedir de adentrar cada vez mais numa desvalorização ainda pior da vida humana no futuro. É ingênuo pensar que um compromisso sério para “fazer o que é certo” reverterá este quadro no futuro. Sem um conjunto firme de valores que fluem de uma visão de mundo que dê uma razão adequada para o valor singular de cada vida humana, não pode haver nem haverá qualquer resistência substancial à maldade atual, produzida pela visão barata da vida humana que acabamos de considerar. Foi a visão de mundo materialista que produziu a desumanidade; deve haver uma visão de mundo diferente para a fazer cessar.

Um inconformismo emocional sobre aborto, matança infantil, eutanásia, e o abuso do código genético não é suficiente. Para se posicionar contra a presente desvalorização da vida humana, uma porcentagem significante de pessoas dentro de nossa sociedade tem de adotar e viver uma visão de mundo que não apenas espere ou tenha intenção de dar uma base para a dignidade humana. Os movimentos radicais dos anos sessenta estavam certos ao ansiar por um mundo melhor; estavam corretos ao protestar contra a superficialidade e falsidade de nossa sociedade hipócrita. Mas seu radicalismo durou somente o período de adolescência de seus membros. Embora esses movimentos dissessem ser radicais, não possuíam um alicerce adequado. Sua visão de mundo foi incapaz de dar vida às aspirações de seus seguidores. Portanto, protestos não bastam. Ter ideais corretos não basta. Uma alternativa verdadeiramente radical tem de ser achada. Mas onde? E como?

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A marca de um santo não é a perfeição, mas a consagração. Um santo não é um homem sem faltas, mas um homem que se deu sem reservas a Deus.
Bishop Westcott

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