Ciência e Fé: Darwin no Microscópio

Data de publicação: 16/12/2011
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Edição 03 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 03

A idéia que Deus criou o universo está conseguindo a atenção (embora meio relutante) dos cientistas seculares.

O mundo é resultado de um “projeto inteligente” ao invés de ter surgido pelo acaso da seleção natural? O cientista que respondesse esta pergunta no afirmativo teria sido ridicularizado e descartado no ato, há apenas alguns anos atrás. Mas agora esta questão está sendo discutida em todos os principais contextos, desde publicações científicas a auditórios universitários, e até em debates das grandes redes de televisão norte-americanas.

Intelectuais cristãos que fazem parte do corpo docente de universidades públicas e federais estão promovendo os debates. Estão defendendo a idéia minoritária de que o universo é tão espantosamente complexo e interdependente que contesta qualquer explicação a não ser de um criador onisciente que o tenha projetado.

Se soltasse uma multidão de macacos um número infinito de vezes, não poderiam jamais reproduzir Shakespeare, de acordo com o âncora William Buckley Jr., do programa Firing Line, da rede PBS de televisão norte-americana. Em outras palavras, a evolução só consegue explicar algumas coisas, mas nunca justificará a inconcebível complexidade do mundo. Por outro lado, os defensores da evolução no debate definiram a idéia da criação como “crenças religiosas fundamentalistas, conceitos filosóficos desacreditados, ou aquilo que costumamos chamar de pura bobagem”.

Behe, um professor da Universidade Lehigh, e católico romano, já escreveu um livro sobre o desafio bioquímico à teoria de Darwin. Ele observou que o próprio Darwin escreveu na sua obra Origem das Espécies que “se pudesse demonstrar-se que existe algum órgão complexo que não poderia ser formado por numerosas e sucessivas modificações mínimas, minha teoria ruiria por completo”. De acordo com Behe, muitos órgãos — o olho humano por exemplo — não poderiam ser originados por sucessivas modificações.

Para explicar, Behe usa a analogia da ratoeira. A ratoeira não funciona se qualquer uma das suas partes for removida, assim como o olho não funciona se uma parte for removida. “Você não consegue aperfeiçoar gradativamente uma ratoeira acrescentando uma parte e depois uma outra”, ele diz. “Uma ratoeira com metade das peças não funciona pela metade. Não funciona nada.” Da mesma forma, o olho não enxerga se uma ou mais partes forem removidas, e conseqüentemente não poderia ter “evoluído” lentamente por sucessivas mutações. Behe chama este conceito de “complexidade irredutível”, e mostra que há muitos sistemas “irredutivelmente complexos” na natureza. Um acadêmico céptico argumentou que acreditar em “projeto inteligente” para justificar a origem do universo é uma saída fácil quando se não tem uma explicação para tudo. Behe respondeu, mostrando que sistemas irredutivelmente complexos são um desafio sério à teoria de Darwin, e que os mesmos cientistas que são hostis à religião e extremamente relutantes a considerar a idéia de projeto inteligente, deveriam também se tornar cépticos sobre as teorias de Darwin.

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