Ciência e Fé – Ciência versus Religião

Data de publicação: 25/07/2011
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Edição 54 e Revista Impacto - 1998 a 2014.

Por: Ezequiel Netto

Ontem assistia a um documentário na televisão sobre a inteligência dos ratos. Foi desenvolvido em um laboratório com muitos equipamentos, inclusive aparelhos de eletroencefalograma, radiografias e um microfone especial que captava um som imperceptível aos ouvidos humanos emitido por esses roedores. O cientista pesquisador explicava o sofisticado sistema de ultra-som que esses animais utilizam para se comunicar. E ele afirmava com muita tranqüilidade que esse sistema foi desenvolvido pelos ratos nos últimos doze milhões de anos.

Como médico veterinário, com mestrado em patologia experimental (uma área da medicina que faz pesquisas com animais de laboratórios), fiquei a me questionar: de onde este pesquisador tirou essa informação? Não poderiam ser sete milhões de anos? Ou nove milhões e meio? Como ele chegou a essa afirmação? Na verdade, ele faz uma série de experimentos que podem ser repetidos e comprovados por qualquer profissional que use os mesmos recursos, mas aproveita sua posição de pesquisador para lançar uma série de especulações sem qualquer fundamento em nome da ciência.

Segundo o também pesquisador Adauto Lourenço, “por mais de cento e cinqüenta anos, fomos levados a crer que este mundo em que vivemos tem bilhões de anos e é fruto do acaso. Já se tornou parte do nosso vocabulário (e também da nossa maneira de pensar) os muitos milhões de anos em que são colocados os aparecimentos e desaparecimentos das espécies e as suas seqüências evolucionistas”.

Nós, cristãos, cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que esta não pode mentir. Nela, lemos que foi Deus quem criou todas as coisas (e isso em um tempo não superior a dez mil anos) e que tudo o que existe não surgiu por obra do acaso. Também está escrito que Deus criou os seres vivos, cada um segundo a sua espécie, e que estes não evoluíram a partir de seres inferiores. Porém algumas afirmações dos cientistas entram em contradição com o que a Bíblia afirma, o que nos causa conflito, uma vez que não pode haver duas versões completamente opostas e verdadeiras para o mesmo episódio. Além disso, somos levados a pensar que ciência e religião são coisas independentes, e que uma não pode entrar na área da outra. Então vivemos neste impasse – deixamos os assuntos sobre Deus e criação para as conversas na igreja, mas nas escolas e meios de comunicação ouvimos e falamos sobre a ciência com suas “verdades” sobre a evolução das espécies e a origem da vida.

Os cientistas desenvolvem hipóteses e teorias e, a partir daí, realizam pesquisas visando comprovar essas idéias, se são verdadeiras ou se devem ser descartadas. Esse método é usado para avaliar quase todas as coisas. Os resultados são divulgados nas revistas especializadas. Entretanto, com a teoria da evolução (Darwinismo) e da origem da vida, a ciência age de forma diferente. Nunca conseguiu comprovar suas afirmações (que os peixes deram origem aos répteis, e estes às aves e aos mamíferos ou que a vida começou a partir de um caldo nutritivo que existia no princípio de tudo), mas os livros escolares e documentários de televisão estão cheios dessas idéias absurdas tidas como a mais pura verdade. Neste meio, não existe espaço para outras teorias, e falar de Deus como Criador é algo simplesmente descartado, pois, como afirmam, não é ciência. Por ser considerado um assunto que pertence ao campo da religiosidade e mitologia, acham que deve ser tratado somente no ambiente de igrejas ou teatros, juntamente com as fadas, duendes, minotauros e sacis.

Há poucos anos, a ciência afirmava que o homem é descendente do macaco e mostrava fósseis e gráficos que comprovavam esse fato; hoje, já não defende mais isso1. O que aconteceu, então? A ciência estava errada, enganada! E, como essa, existem muitas outras afirmações em que a ciência pede que acreditemos, mas que certamente se tornarão obsoletas em poucos anos.

Todo mundo sabe contar a história sobre como se forma um fóssil, segundo as pesquisas científicas modernas. Um peixe morre, vai para o fundo do mar e, ao longo de milhões de anos, vai sendo soterrado; depois de mais alguns milhões de anos, transforma-se em pedra, dando origem ao fóssil do peixe. Isso também vale para outros animais, que vão sendo soterrados lentamente após a morte e, milhões de anos mais tarde, são transformados em fósseis. Mas será que ninguém pensou que um peixe, quando morre, em vez de afundar, bóia? Que sua carne vai apodrecendo e se decompondo, e que seria impossível ficar imóvel, intacto por milhões de anos no fundo do mar, sem que um siri, um camarão ou outro animal o comesse? Na verdade, um fóssil se forma rapidamente, não através de morte natural, mas através de um processo de enclausuramento, por ser soterrado em meio a muita lama, um processo que só ocorre devido a um acontecimento cataclísmico, como um dilúvio, por exemplo.

Todos nós também sabemos contar como o pescoço da girafa cresceu. Não havia alimentos no chão, obrigando-as a se esticarem para comer a copa das árvores mais altas. Mas alguém já se perguntou por que os pescoços da vaca e dos cavalos também não cresceram? Será que, naquela época, só havia girafas no planeta? Os papais-girafa comiam a copa das árvores, mas os filhotes já nasciam de pescoço comprido? Pensando desta forma, os filhos dos halterofilistas já deveriam nascer musculosos, e todas as crianças gordinhas seriam filhas de pais que bebem muita cerveja.

Mas podem a Bíblia e a Ciência andar em harmonia, mantendo, cada qual, a sua integridade? Para muitos isso seria impossível, mas a Revista Impacto gostaria de trazer, a partir da próxima edição, o testemunho de muitos cientistas famosos que acreditavam em Deus, para a fé dos quais a ciência nunca foi um empecilho.

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Quem Está Certo?

Independente das interpretações sobre as muitas doutrinas das Escrituras, todos nós, cristãos, temos as Escrituras como a Palavra infalível do nosso Deus. Esse é o centro da nossa fé. Removidas as Escrituras, nada mais nos sobraria do que meras opiniões humanas sobre o que pensamos de Deus e o que ele pensa de nós e como poderíamos nos relacionar.

É justamente nesta questão que se encontra um ponto de tensão extremamente relevante para a Igreja do século XXI: a Ciência e a Palavra de Deus. Enquanto que aos domingos ensinamos nossas crianças e jovens que Deus criou o mundo em seis dias, nos outros seis dias da semana eles são ensinados pelas escolas e pela mídia que a “ciência” tem uma outra explicação, contrária ao que lhes foi ensinado no domingo.

Sejamos honestos: quem está certo? Não é esta a pergunta que sempre temos diante de nós? E se a Palavra de Deus é a verdade (o que implica que cientificamente ela necessita estar correta, caso contrário ela seria a mentira), como pode haver tal discrepância entre a Ciência e a Palavra de Deus?

Talvez você ainda não pense assim, mas quero dizer que essa questão é muito relevante para a Igreja do século XXI. É relevante porque afeta a nossa maneira de nos relacionarmos com Deus e com o nosso semelhante. É relevante porque mostra ou deixa de mostrar a unidade que existe entre o mundo físico e o espiritual. É relevante porque como pode haver um segundo Adão (Cristo) se o primeiro não existiu? Por que haveria Cristo de morrer pelos pecados se a morte entrou no mundo muito antes do ser humano (Rm 5.12-21)? Somos informados e assegurados pelas Escrituras de que elas são a verdade (Jo 17.17). Portanto tudo o que se opõe às Escrituras será, sem dúvida, mentira, por mais científico que pareça ser no momento.

Dois Pesos, Duas Medidas

“A evolução não é uma formulação do verdadeiro método científico. Eles (cientistas evolucionistas que confessam que a evolução não pode ser provada cientificamente) compreendem que evolução significa a formação inicial de organismos desconhecidos a partir de processos químicos desconhecidos numa atmosfera ou oceano de composição desconhecida, sob condições desconhecidas, cujos organismos subiram então uma escada evolucionista desconhecida, mediante um processo desconhecido, deixando uma evidência desconhecida” (Dr. R. L. Wysong em The Creation/Evolution Controversy, East Lansing, MI: Inquiry Press, 1976, p. 44).

Em outras palavras, para se aceitar a evolução, há necessidade de fé. O mesmo tipo de fé que, quando aplicado ao criacionismo, faz com que este seja considerado uma religião pelos evolucionistas. Usando-se dos mesmos critérios, o que deveria ser comum na ciência quando tratamos de evolução, devemos então concebê-la como nada mais nada menos do que religião. Com o uso de uma terminologia científica e os efeitos especiais criados pela fotografia e cinema, tem-se apresentado a evolução como a única explicação razoável do aparecimento de todas as coisas, tentando de todas as formas possíveis mostrar como fato aquilo para o que não existe evidência.

Adauto Lourenço, em “Ciência Religiosa Versus Religião Científica”, www.universocriacionista.com.br.