Campo de Batalha: Vida Acadêmica

Data de publicação: 10/09/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 40 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 40

Por Rosana Mendes

“Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra” Salmos 119:9

As histórias descritas ao lado são reais e apenas uma pequena amostra de um grupo cada vez mais significativo de jovens brasileiros. Um deles poderia ser seu filho, seu irmão, seu amigo ou mesmo você!

Agora pense: há algum tempo temos ouvido sobre um exército de jovens que Deus quer levantar nestes dias. Para que um exército? Para ir ao campo do inimigo que possui, como sabemos, armas poderosas e estratégias excelentes. Para tomar de volta almas que foram “capturadas”, mas que realmente pertencem ao nosso Deus. Para lutar pela implantação do Reino de Deus na Terra, depois de ter conseguido vitória em suas próprias vidas.

O inimigo sabe do perigo de tal exército e quer destruí-lo, fazendo ataques diários contra seus integrantes, em cada mente, em cada coração, em cada alma. Os campos de batalha são vários: relacionamentos, vida pessoal com Deus, vida profissional e vida acadêmica. É este último que quero focalizar aqui.

Agora, olhemos para nossas frentes defensivas. Será que estão prontas para tal confronto? Será que nossos jovens, que estão entrando no campo de batalha espiritual das universidades, estão sendo devidamente preparados para as lutas que irão enfrentar? Ou será que, como na época das Cruzadas, estamos enviando crianças desprotegidas para enfrentar nossos maiores inimigos? As estatísticas e os exemplos descritos acima indicam que a segunda opção tem sido mais real.

Da mesma forma que é uma loucura enviar soldados para uma guerra sem antes prepará-los, não podemos mandar nossos jovens para as universidades sem antes mostrar quais são os prós e os contras desse ambiente e sem prepará-los para enfrentar os contras.

O Inimigo: Humanismo

O ambiente das universidades, em sua grande maioria, é um ambiente cheio de confusão, em que o cristianismo é atacado abertamente. Ali há grande “liberdade” para as mais variadas crenças, menos para a fé cristã. As teorias e filosofias são tão sutis que o estudante precisa estar muito atento e vigilante para não negar a Cristo sem sequer se dar conta do que está acontecendo.

Não podemos esquecer que somos influenciados pelo meio em que vivemos (o mundo) para o bem ou para o mal. Será possível viver neste mundo sem ser contaminado? Só por vivermos no mundo, já somos influenciados por ele, o que se constitui nossa maior guerra espiritual. Nascemos, fomos criados e vivemos em um mundo humanista¹, cuja filosofia predominante influencia até mesmo a igreja.

Contudo, é nas universidades que encontramos o auge do pensamento humanista e a sua aplicação prática. O humanismo secular deposita confiança na inteligência humana e não na orientação divina².  Com um discurso cheio de boas intenções, todos se preocupam com o HOMEM (no centro), sua posição no mundo, como ele deve agir, quais os seus direitos e quais os maiores obstáculos para que esses direitos sejam alcançados. É o governo? O capitalismo? Deus? A religião? A influência da igreja? Enfim, tudo que impede o homem de “ser feliz” é considerado errado e deve ser combatido.

Muitas outras linhas de pensamento são extensões desse humanismo secular e estão presentes em nossas faculdades e universidades, como se pode ver a seguir:

Naturalismo: tudo no universo deve ser explicável por meio de leis naturais.
Não-teísmo: nega e opõe-se a toda religião teísta.
Evolução: a maneira de explicar as origens sem a intervenção de Deus.
Relativismo: não se aceitam absolutos, a humanidade decide os próprios valores e padrões.
Auto-suficiência: o homem pode resolver seus problemas sem a ajuda divina.
Materialismo: tudo é matéria ou redutível a ela.
Racionalismo: a razão como meio de alimentar a verdade

Ficar ou Fugir?

Dentro desse quadro, como deve o jovem cristão se portar na universidade? Será possível não se contaminar com essa filosofia humanista que domina nossa sociedade e, em grau ainda maior, as universidades? Por que nos expormos, a nós e a nossos jovens, às armas do inimigo? Não seria melhor que evitássemos esse ambiente de risco?

Jesus orou: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17.15). Fugir não é a solução. Mas, por outro lado, a Bíblia nos ensina a calcular as despesas antes de iniciar qualquer obra ou sair para qualquer batalha (Lc 14.28-32). E, neste caso, calcular as despesas significa saber se estamos aptos para entrar nesse ambiente de guerra, enfrentar o inimigo “em sua casa” e passar por tudo isso sem ser contaminado.

O princípio da sabedoria, segundo a Palavra de Deus, é o temor do Senhor (Sl 111.10; Pv 1.7; Pv 9.10). Provérbios 2.1-5 também nos mostra que é com temor do Senhor em nosso coração que buscamos em sua Palavra a sabedoria de que necessitamos para temermos a ele e, assim, adquirirmos mais sabedoria!

Espelhando-nos em Daniel

Tomando como exemplo a vida de Daniel, vemos o que pode acontecer quando nos unimos ao Deus da sabedoria. Daniel foi considerado sábio, inteligente, culto, com conhecimento. Ele foi um exemplo (Pv 2.6; Dn 1.17).

O povo de Israel havia sido levado cativo para a Babilônia e, entre os escolhidos para servir na corte do rei, estavam Daniel e seus três amigos. O talento desses jovens foi notado e logo foram levados para ocupar importantes posições no reino (Dn 1.3-6). A fim de que pudessem tornar-se qualificados para sua vida na corte, eles deveriam aprender a língua e a cultura dos caldeus durante três anos. Daniel, porém, teve a coragem de “não se contaminar com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia” (Dn 1.8). Ele decidiu permanecer firme em sua integridade e fé nas palavras de seu Deus, independentemente das conseqüências.

Daniel passou por muitas tentações e se manteve fiel, íntegro e leal a Deus, não ousando confiar em si mesmo. Tinha plena e total confiança em Deus. A oração era uma necessidade diária, fazia com que Deus fosse sua força e mantinha o temor do Senhor continuamente diante dele em todos os acontecimentos de sua vida.

Vivendo assim, na Babilônia, e não se contaminando, orando incessantemente, tendo uma conduta exemplar, sendo reconhecido como um homem manso, verdadeiro, firme e nobre, Daniel se tornou um exemplo para todos aqueles que desejam servir a Deus nas “Babilônias” modernas. Nós também podemos estar em universidades, por exemplo, e não sermos contaminados com a filosofia humanista que permeia esses ambientes (Rm 12.2).

O melhor é que, depois de três anos, quando foram avaliados pelo rei, esses jovens se sobressaíram aos demais (Dn 1.20). Depois disso, o rei e as pessoas que o serviam reconheceram o caráter de Daniel (Dn 5.11-14). A postura de Daniel, sua inteligência e sabedoria fizeram com que o rei reconhecesse a Deus como “Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios” (Dn 2.47). O testemunho de seus amigos e o testemunho de Daniel de fidelidade a Deus diante de dois monarcas diferentes (Nabucodonosor e Dario) fizeram com que esses reis, depois do livramento de Deus na fornalha de fogo e na cova dos leões, reconhecessem a Deus (Dn 3.29; Dn 6.26-27).

E hoje? Acredito que aqueles que sentirem ser vontade de Deus para suas vidas fazer um curso universitário ou procurar um mestrado ou doutorado podem se inspirar no testemunho desse herói da Bíblia. Como Daniel, podemos nos destacar não só espiritualmente, mas também secularmente, demonstrando o caráter e a sabedoria de Deus em excelência, mesmo no meio universitário.

O Que Fazer Para Vencer Hoje?

Como, porém, podemos alcançar isso? Sem querer dar uma “receita de bolo”, e sem a pretensão de fazer um manual ou um livro de auto-ajuda para alunos cristãos nas universidades, gostaria de levantar alguns pontos.

Primeiramente, o contato com Deus é essencial. Um verdadeiro relacionamento de comunhão com ele é o que pode nos sustentar em todos os sentidos. Deus quer ter comunhão com seu povo, quer ter relacionamento conosco, quer ser nosso sustento. E “a decisão de entrar num relacionamento mais profundo com ele envolve necessariamente a determinação de passar tempo regularmente em oração pessoal” . Ao tirar tempo para Deus todos os dias, orando e lendo a Bíblia, estaremos, de certa forma, sendo vacinados contra as tentações.

Em segundo lugar, é lícito ao jovem descobrir que sua fé é razoável, que a “relação da fé com a razão é muito importante para o cristão reflexivo” . Apesar de não produzir a fé, a razão pode e deve acompanhar nossa fé. Podemos questionar sinceramente a verdade da Bíblia simplesmente porque é verdade. Uma mentira não pode ser muito questionada porque sua estrutura é frágil, seria logo desmascarada. A verdade sobre Deus, sobre sua criação e sobre sua personalidade, no entanto, pode ser questionada, colocada em xeque. Ela não deixa de ser a Verdade!

Outra coisa importante é ter pessoas em quem você confia: seus pais, amigos, pessoas maduras na igreja que vão ouvi-lo em TODAS as suas dúvidas. Acho fundamental expor quaisquer perguntas e dúvidas que surgem quando você ouve professores convictos e seguros (e como eles são bons nisso!) ensinarem sobre a origem das espécies, do universo e da vida para alguém que irá escutá-lo sem achar que está perdendo a fé ou esfriando. Seja sincero – com Deus, com você mesmo e com pessoas que vão ser “pais espirituais” para você neste período.

Eu ainda encorajaria os universitários cristãos a formarem pequenos núcleos de oração e comunhão nas próprias Universidades, pois isso os fortaleceria contra os ataques diários do humanismo e racionalismo.

É importante notar também que a posição de quem está disposto a lutar a favor da causa de Jesus (posição dinâmica, de ataque) é bem mais segura do que a de quem só quer manter sua própria integridade (posição estática, defensiva). Quem não influencia os outros provavelmente acabará sendo influenciado. Assim, não se contente em defender-se contra as investidas “mundanas” em sua mente, mas também busque alcançar outros ao seu redor.

Finalmente, leia bastante! Procure autores cristãos sinceros que escreveram sobre isso. Logo ao lado, deixamos uma pequena bibliografia para iniciar. Leia criticamente, pense sobre o assunto, formule perguntas, procure respostas. O caminho da investigação vai  ajudá-lo, e muito.

LIVROS:

-Como Derrotar O Evolucionismo Com Mentes Abertas, Philip Johnson, São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2000
-No Princípio, E. H. Andrews, São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2003
-Fundamentos Inabaláveis, Norman Geisler e Peter Bocchino, São Paulo: Editora Vida, 2001
-Enciclopédia de Apologética, Norman Geisler, São Paulo: Editora Vida
-Em Defesa da Fé, Lee Strobel, São Paulo: Editora Vida, 2002
Em Defesa de Cristo, Lee Strobel, São Paulo: Editora Vida, 1998

VHS:

-Tudo para a glória de Deus, Adauto Lourenço,  Conferência Fiel de Jovens. 2 fitas.  Editora Fiel.

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Depoimentos de Estudantes da Universidade Estadual de
São Paulo – Campinas (Unicamp):

Sobre a juventude:

“A juventude hoje pensa que é revolucionária, mas na verdade ela é passiva ao extremo. Sua revolução nunca passa de palavras!”
Aluno graduado em Ciências Sociais

Sobre a motivação para viver:

Sou levado pela vida! Eu acordo de manhã, porque tenho que acordar, mas não tenho uma motivação. Eu não sei porque estou vivo, não sei para onde estou indo, não sei nem o que quero fazer. Não sei de nada!”
Aluno de História

Sobre religião e igreja:

“Para ser sincera não sou muito religiosa, talvez por isso escolhi este curso – Química… Acredito que haja uma força além da nossa realidade, que não sei ao certo o que é, mas no momento de maior tristeza eu recorro a essa força, conversando e procurando respostas. Quando o faço, parece que alguma coisa sussurra em meus ouvidos e, então, vejo a vida com mais clareza… Espero um dia ter essa resposta, pois a esperança é a última que morre.”
Aluno de Química

“A Igreja já foi mais valorizada. Atualmente ela está sendo abandonada principalmente pelos jovens. Estes vivem um estilo de vida chamado carpe diem, isto é: viva a vida e aproveite o máximo que puder…As festas, baladas acabam sendo mais atraentes do que a própria Igreja, pois ela não tem a verdadeira vida.”
Aluna cristã de Química

“Em relação à Igreja, confesso que tenho um grande preconceito. A primeira imagem que me vem à mente é a de líderes corruptos.”
Aluno de Letras

“Nas igrejas, o discurso é um e a prática é outra. Hoje em dia, precisa-se de pessoas que tenham o discurso e a prática coerentes.”
Aluno de História

Rosana Mendes, casada com Beto e mãe de três filhos, professora de Matemática, faz mestrado em educação e reside em Monte Mor-SP.

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