Bravos Jovens Brasileiros

Data de publicação: 02/08/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 51 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 51

Por: Luiz Montanini

Radical. É difícil encontrar outra palavra senão esta para definir o trabalho que David Botelho e seus jovens e adolescentes realizam por meio da Missão Horizontes América Latina no Brasil e no exterior.

Sediada em Monte Verde, distrito de Camanducaia, MG, e com agências em Bragança Paulista, SP (voltada a treinar pessoas com chamado aos povos indígenas), e no bairro paulista da Liberdade (voltada ao trabalho com asiáticos e seus descendentes), mais bases no Uruguai e Bolívia e contatos importantes no exterior, a Horizontes abriga e capacita jovens para entregar a própria vida em favor do evangelho, seja na pregação propriamente dita, seja na tradução das Escrituras.

Veja a seguir o trabalho destes bravos jovens e adolescentes brasileiros. Eles são liderados por David Botelho, 55 anos. Botelho é casado com Cleonice, tem 3 filhos (Marco Leandro, 30, ex-missionário no Egito e País de Gales, Margareth, 28, e Marisleide, 26. As duas filhas estão atuando na base em Monte Verde). Tem 3 netos, filhos de Margareth: Ohanna, 4 anos, Zachary e Bethany, gêmeos de 1 ano.

A Missão Horizontes América Latina possui cerca de 180 pessoas em treinamento e no campo e parcerias com outras organizações missionárias, como a Missão SIM (Serving in mission), Wycliffe, China Harvest e Cornerstone (Pedra angular). Possui também uma editora, a Editora Horizontes, com 65 títulos, entre livros voltados a missões e DVDs. Veja a entrevista de David Botelho e conheça um pouco mais a respeito deste trabalho radical:

Revista Impacto – Como você se interessou por missões transculturais e como iniciou a carreira?

David Botelho – Um pastor me deu o livro Evangelizemos o Mundo, de Osvald Smith. Li-o 16 vezes e fui “contaminado” pelo vírus da evangelização mundial. Tinha 19 para 20 anos e morava em Santo André, SP. Aquela chama foi se acendendo, fiz curso médio em teologia em um seminário das Assembléias de Deus, trabalhei depois por 7 anos na General Motors, de São Caetano, como coordenador técnico da engenharia de produção, e então fui para Monte Verde, MG, onde abri um trabalho das Assembléias de Deus, um ponto de pregação na casa de um irmão, que se transformou em igreja. Dali fui para a Igreja Batista e, em fevereiro de 1984, fiz um curso de 5 meses em missões transculturais na Missão Antioquia (Vale da Bênção).

Fui depois para a Bolívia, onde fiquei por um ano na selva boliviana, entre os índios Ayoreus, no pantanal boliviano, e por 6 anos em Puerto Suarez, implantando igrejas, trabalhando com educação, no Colégio Batista, e treinando missionários. Foi uma escola.

Em 1989, fui para Londres fazer um aperfeiçoamento em línguas por 6 meses. Ali Deus falou bem claro comigo que iria fazer grandes coisas por meio de meu ministério, e eu cri porque já havia experimentado a cura de um tumor em minha própria vida.

R.I. – Como aconteceu a cura?

Em 1985, eu estava desenganado pelos médicos na Bolívia, com um tumor de quase 1 kg nos rins. Fiquei 5 meses nos hospitais, houve metástase confirmada na laparoscopia, mas muitas igrejas oraram, e quando fiz a cirurgia, já no Brasil, o tumor estava encapsulado – era benigno.

R.I. – Como surgiu a Missão Horizontes?

Como professor de missionários, meu lema era e continua a ser alcançar os não alcançados. Achava que tudo aconteceria na Bolívia, mas ali, certo dia, entendi que Monte Verde era o local onde eu deveria iniciar o trabalho. Então vim ao Brasil e compartilhei a visão com os letos Verner e Emília Grimberg, fundadores de Monte Verde e membros da Igreja Batista local.

Disse ao irmão Verner que queria abrir um centro de treinamento no distrito e que ele seria resposta de Deus para o sim ou para o não, porque ele tinha propriedades em Monte Verde.

Ele disse a mim, à Cleonice, minha esposa, e à Marisleide, minha filha caçula: “Venham comigo”. E levou-nos ao terreno de 30 mil metros quadrados onde hoje funciona a base principal da missão. Disse: “Este terreno vale 200 mil dólares, já me ofereceram 120 mil, mas se Deus está pedindo, é seu”.

Nem sequer passamos escritura, ficou na palavra dele, porque era homem de palavra. Eu disse apenas: “Daqui a dois anos eu volto”. E fui pra Bolívia preparar alguém para assumir o trabalho ali.

R.I. – Como o trabalho começou?

Começamos a construir em julho de 1991 totalmente pela fé, sem estrutura alguma. Construímos a casa-sede e outras duas ao fundo. Já em 1992, levamos uma equipe de 12 pessoas para ser treinada por um ano na Espanha.

R.I. – Os desafios radicais começaram por essa época?

O trabalho foi crescendo, e nós fomos sendo desafiados. Quando estive em Ouagadougou, capital de Burkina Fasso, em 1996, no Sahel africano (região sub-Saara), viajamos de carro por 5 dias, e ali vi os desafios da região: apenas no Níger, 90% da população eram analfabetos, 90% muçulmanos e 90% viviam abaixo da linha de pobreza.

Uma das coisas mais surpreendentes que me disseram é que onde há 50 anos havia missionários, havia uma igreja pujante e, da mesma forma, onde havia muçulmanos, o islamismo também se fortalecera. Então sonhei em enviar de uma vez 100 missionários brasileiros para o Níger. Acharam que eu estava delirando, que a igreja brasileira não responderia ao desafio de enviar tantos missionários.

R.I. – A igreja correspondeu?

Trabalhamos com projetos, e a resposta chegou. Buscamos parcerias. E começamos a mandar grupos menores. Em 1998, por meio de parcerias com o Instituto Betel Brasileiro, Missão Getsêmani e a OM – Operação Mobilização, preparamos 16 missionários.

Criamos então o projeto África Sahel, que consistia de 3 meses de treinamento no Brasil, 6 meses no Paraguai (que incluía aprendizado do espanhol e experiência de choque cultural), 3 meses de volta no Brasil, 10 meses no País de Gales, Reino Unido, e um ano no Sahel.

Essa experiência levou-nos ao Projeto Radical, que consistia no preparo e envio de 96 missionários do Brasil, Venezuela e Paraguai e uma candidata da Guiana Inglesa. Do Brasil, conseguimos envolver 16 denominações diferentes.

O projeto era de 4 anos: um ano no Brasil, 6 meses no Paraguai e Argentina, 6 meses no País de Gales e França e dois anos no campo. Desses, 84 alcançaram a janela 10-40 e estiveram em países como Iraque, Turquia, Timor Leste, Camboja e Índia. A história do envio dos 96 missionários merece capítulo à parte.

Esse projeto veio a ser escolhido como modelo multicultural de treinamento pelo Congresso Mundial de Evangelização, em 2004, na Tailândia.

Qual o atual estágio da visão?

Continuamos engajados na luta por ver a igreja brasileira desesperada, inspirada, encorajada e capacitada a fazer missões transculturais entre os povos não alcançados. Entre nossos principais projetos, destacamos os seguintes:

Curso de especialização a distância, com mais de 1000 alunos – mas nosso objetivo é ter 10 mil estudantes inscritos. O curso é composto de 20 módulos, com livros, apostilas e DVDs.

Projeto Revolution Teen, que visa transformar jovens adolescentes em tradutores das Escrituras aos povos que não têm nada da Bíblia (A Impacto publicou matéria sobre este assunto na edição 45, com o título “Adolescentes com uma missão: traduzir as Escrituras”).

Hoje estamos envolvidos no projeto de levar 300 pessoas às Olimpíadas da China em 2008, em parceria com outras missões, como Batista e Atletas de Cristo. Devemos entrar com pelo menos 50 jovens neste projeto. O objetivo é despertar uma consciência de amor à China, compartilhando o amor de Deus aos chineses, com intercessão, e atuando através das áreas de interesse deles e nossos, como oportunidades de negócios, em esportes e artes.

Um projeto de construir um Centro de Convenções em Monte Verde, onde existem mais de 160 hotéis e pousadas. Deve ser feito com 600 cotas (maiores informações, veja no site: www.mhorizontes.org.br).

Criar uma associação de empresários cristãos – Conec – Brasil. Um Centro de Oportunidade de Empresários Cristãos, com o objetivo de ser uma rede internacional de empresários com uma visão global.

R.I. – Você é um radical?

Se para ver salvos os povos esquecidos e negligenciados é preciso fazer coisas radicais, então sou um radical.

R.I. – Seus discípulos são radicais?

Temos jovens que foram treinados por nós em lugares distantes e perigosos, como Caxemira, Israel, Turquia, Iraque, Jordânia, China e Sudão. Sim, graças a Deus, eles são radicais…

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Frases de David Botelho:

— Os evangélicos brasileiros gastam mais com Coca-Cola do que com missões.
— É hora de investir em vidas para que nasçam profetas nas nações
— Completarei minha carreira quando vir centenas de pessoas iniciando projetos de tradução da Bíblia voltados à maioria das línguas que nada têm.

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Entrevistas com jovens:

MARROCOS, ARÁBIA SAUDITA… QUEM PRECISA MAIS?

Não sei ainda se quero pregar no Marrocos, na Arábia Saudita, na China ou na Índia, mas eu acho que vou me envolver com o mundo muçulmano, que tem muitas necessidades.

Aline Kramer, 14 anos, de Fortaleza, Projeto Revolution Teen (tradutores); seu irmão, Samuel, 16 anos, também já é missionário. Foram os primeiros missionários enviados pela igreja de Fortaleza, que tem 102 anos.

O JOVEM CONTRABANDISTA

Queria servir como engenheiro, mas deixei tudo para seguir a mesma trilha dos meus pais, missionários também, a fim de levar o evangelho aos povos não alcançados. Já morei no sertão do Piauí e em 9 países; conheci muitas culturas e povos e, ao ver as necessidades, acabei sentindo-me impulsionado pelo Senhor a fazer missões. Quero trabalhar com a igreja perseguida, treinar líderes na igreja subterrânea. Na China, na Coréia do Norte, no Paquistão, quero treinar líderes e tenho um sonho, de ser contrabandista de Deus.

Matheus Gonçalves de Salles, 16 anos, de Cabo Frio, RJ;

SOCORRO À CHINA

“Sou especializada em contabilidade e administração, abri mão de minha carreira pelo evangelho e dependo inteiramente de Deus – e das ofertas de seus filhos –; quero servir na China no ministério de socorro. Email: violetaguarino@hotmail.com”.

Violeta Maura Araújo Guarino
(Embarcou neste 28 de março para estágio de línguas em Londres, antes de ir para a China em 2008)

ONDE COMEÇAR?

Há tanta necessidade de traduções que a gente não sabe nem por onde começar.

Meu pai é motorista de ônibus e minha mãe é operadora de caixa, e eu perguntava pra Deus: “Como vou pagar os dois salários mínimos de manutenção mensal no projeto?” Para viajar, vendi bolo após os cultos da igreja, e muitos vinham me dizer que era de Deus eu vir pra Missão mesmo. Eu só sei dizer que sequer conheço pessoalmente meus mantenedores, mas Deus falou e despertou estas pessoas que me ajudam agora. Sou apaixonada pela Índia, mas gostaria também de trabalhar com as mulheres muçulmanas…

Valéria Fernandes, 15 anos, de Macapá, AP

O PREÇO QUE FOR

Estou orando. Não tenho nenhum país em mente ainda, mas já tenho a certeza de que quero trabalhar com o islamismo e estou disposto a pagar o preço que for pela causa do evangelho de Cristo.

Renato Henrique Thezolim, 19 anos, de Jaú, SP

SAÚDE AOS POBRES

Tenho em meu coração o desejo de trabalhar na África, mas ainda não sei o país ao certo. Gostaria de trabalhar na área de saúde e com os mais pobres da África, com crianças.

Wanderson Luiz Carneiro Santos, 25 anos, de Cachoeiro do Itapemirim, ES –

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Alto custo, literalmente

Para manter projetos como esses, muito caros, Botelho não hesita em investir em todas as frentes possíveis. São ações consideradas pequenas, como os tradicionais cofrinhos da missão, que são deixados em igrejas e estabelecimentos comerciais, e ousadas, como vender bens importantes para a missão – recentemente tiveram que vender quatro veículos para cobrir custos.

Para ajudar a manter o projeto Revolution Teen, de tradução da Bíblia e que envolve jovens de lugares distantes e que passam a morar na missão por um tempo, foi criada a campanha da dracma perdida, em que os adolescentes coletam moedas e cédulas antigas e as vendem para colecionadores. “Nosso objetivo é coletar 100 mil moedas e cédulas antigas para levantar recursos para os tradutores da Bíblia”, anuncia David Botelho, e já convida os leitores a doá-las (veja abaixo).

DOAÇÕES

Horizontes América Latina
Bradesco
Agência 1020-0
Conta Corrente 3474-6
Fone 35 3438 1546
www.mhorizontes.org.br

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