Avivamento e Convicção de Pecados

Data de publicação: 05/12/2011
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Edição 12 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 12

Por: Charles Finney

Um avivamento consiste no retorno da igreja da sua apostasia, e na conversão de pecadores. Sempre inclui convicção de pecados, por parte da igreja. Pessoas que são cristãos apenas de nome, e são frias ou desviadas, não podem simplesmente acordar e começar a participar do serviço de Deus sem passar antes por profundas sondagens de coração. As fontes e raízes do pecado precisam ser quebradas. Num verdadeiro avivamento, as pessoas sempre são expostas a essa convicção; começam a ver seus pecados em tal perspectiva que freqüentemente acham impossível manter a esperança de serem aceitas por Deus.

Um avivamento nada mais é do que o início de uma nova obediência a Deus. Os cristãos terão sua fé renovada. Enquanto estiverem no estado de apostasia ou frieza, ficam cegos quanto ao seu estado de pecadores. Seus corações são como mármore. As verdades da Bíblia parecem não passar de sonhos. Admitem que tudo seja verdade; mas sua fé não o vê como algo real, em todas as cores ardentes e vivas da eternidade. Mas quando entram num avivamento, enxergam as coisas nessa luz forte, que renova o amor de Deus em seus corações.

Ficam cheios de um amor sensível e ardente pelas almas. Terão um profundo anseio pela salvação do mundo inteiro. Estarão em agonia em favor dos indivíduos que desejam ver salvos. Não só os exortarão a dar seus corações a Deus, mas os carregarão a ele nos braços da fé, e com forte clamor e lágrimas suplicarão a Deus que salve suas almas do fogo que jamais cessará.

Um avivamento quebra o poder do mundo e do pecado sobre os cristãos. Leva-os a uma posição onde terão um novo impulso em direção ao reino de Deus, e um novo desejo de se unirem a ele. Quando os cristãos ficam desta forma despertados e avivados, a salvação de pecadores será uma  conseqüência.

Tenho observado durante os últimos dez anos que os avivamentos estão se tornando gradativamente mais e mais superficiais. Os cristãos ficam muito menos espirituais, perseveram muito menos na oração, não são tão radicalmente quebrantados e vivificados, nem tão inteiramente batizados no Espírito Santo, como eram antes. Tenho ouvido muitos dizerem, tanto pregadores quanto membros comuns: “Ansiámos tanto voltar a ter avivamentos como tivemos alguns anos atrás”.

Há muito menos sondagem de coração através da manifestação profunda e completa da depravação humana, do que anteriormente. Da minha própria experiência e observação, como também da Palavra de Deus, estou plenamente convencido que a natureza dos avivamentos depende em grande parte da ênfase que é colocada na depravação do coração. Seu orgulho, inimizade, devaneios, enganos, e tudo mais que é detestável diante de Deus, precisam ser expostos à luz da sua lei perfeita.

Não se coloca suficiente ênfase sobre a terrível culpa da depravação do homem. Os pregadores não se dão ao trabalho de mostrar ao pecador, através de uma série de discursos cortantes e diretos, a total maldade e culpa do seu coração perverso, e a total falta de qualquer desculpa justificável para isso. Nenhum avivamento poderá ser completo até que pecadores e cristãos frios sejam tão expostos e humilhados, que não consigam mais levantar suas cabeças.

É um ponto conclusivo para mim que, enquanto pecadores e cristãos meramente nominais puderem entrar numa reunião sincera, e levantar suas cabeças, e encarar a você e aos outros nos olhos, sem acanhamento ou vergonha, isto significa que a obra de sondar o interior não foi de forma alguma realizada, e estas pessoas não estão prontas para serem inteiramente derrubadas e convertidas a Deus.

Quero chamar a atenção de meus irmãos especialmente para esse fato. Quando pecadores e cristãos frios são profundamente tocados pelo Espírito Santo, ficam tremendamente envergonhados de si mesmos. Até que demonstrem esta profunda vergonha, deve ser reconhecido que a sonda não foi suficientemente usada, e por isso ainda não se vêem como deveriam.

Quando entro numa reunião de candidatos para conversão, e olhando para as pessoas, vejo que estão com as cabeças erguidas, olhando para mim e umas às outras, já sei o que preciso fazer. Ao invés de insistir para que venham logo a Jesus, preciso dedicar-me ao trabalho de convencê-las do pecado. Geralmente, só de olhar pela sala, um pregador pode discernir, não só quem sente convicção de pecados, e quem não sente, mas quem está tão profundamente convencido que já está pronto para receber Cristo.

Alguns olham ao redor, sem demonstrar qualquer constrangimento ou vergonha; outros não conseguem olhar direto nos seus olhos, mas ficam de cabeça erguida; ainda outros não ficam de cabeça levantada, mas estão calados; e outros, através dos seus soluços, suspiros, e angústia, revelam imediatamente o fato de que a Espada do Espírito já lhes feriu até ao próprio coração.

Tenho aprendido também que um avivamento nunca assume um caráter desejável ou saudável a menos que a pregação e outros meios de formar o ambiente sejam direcionados de tal forma e com tal eficiência que se produza aquela espécie de genuína e profunda convicção que quebranta o pecador e o cristão indiferente, e os torna irremediavelmente envergonhados e confundidos diante do Senhor, despidos de qualquer desculpa, e impulsionados a fazer qualquer coisa para justificar a Deus e condenar a si mesmos.

Tenho pensado que, pelo menos em muitas ocasiões, não foi dada ênfase suficiente na necessidade da influência divina sobre os corações de cristãos e pecadores. Isto entristece o Espírito de Deus. Por sua obra não ser honrada nem suficientemente valorizada, e não podendo trazer glória a si mesmo, ele retém sua influência divina.

Outra vez, é algo perigoso em avivamentos focalizar demais as esperanças e temores dos homens; a razão simples disso sendo que o homem, por ser tão egoísta, tende a criar em si mesmo uma submissão a Deus que é inerentemente egoísta – uma religião egocêntrica em que o homem é movido, por um lado, pelo temor de castigo, e por outro, pela esperança de galardão.

É verdade que Deus leva em conta as esperanças e temores do homem, ameaçando-o com castigo se desobedecer, e oferecendo recompensas se o obedecer; mas ainda assim, não há nenhuma virtude quando o coração é movido meramente por esperança de recompensa ou medo de castigo.

Se os pecadores se arrependerem e virarem de seus pecados, e sem interesses pessoais se consagrarem ao bem do universo e à glória de Deus, ele promete, através da expiação de Cristo, perdoar seus pecados. Mas esta promessa não é válida quando se deixa o pecado por motivos interesseiros. O pecado exterior pode ser abandonado por motivos egoístas, mas o pecado do coração nunca o pode ser; pois este pecado consiste de egoísmo, e seria totalmente absurdo falar de abandonar o egoísmo por motivos egoístas.

Não pode haver dúvida de que quando os pecadores são acomodados e despreocupados, focalizar nos seus temores e esperanças será a forma mais rápida, e talvez a única forma de despertá-los, e prender sua atenção ao assunto da salvação; mas sempre deve-se lembrar que depois de se obter sua atenção, devem ser levados no máximo possível a não enfrentar o assunto de uma perspectiva egoísta.

PASTORES E O AVIVAMENTO
D.L. Moody

Tenho pouca simpatia para com aqueles pastores que, quando Deus está avivando as igrejas, começam a pregar contra avivamentos. Não existe uma denominação em todo o cristianismo hoje que não tenha nascido de um avivamento. Os episcopais afirmam que têm origem apostólica; se tiverem, são fruto do vivamento em Pentecoste. Os metodistas saíram dos avivamentos com John Wesley e George Whitefield.

A Igreja Luterana não veio do grande despertamento que varreu a Alemanha nos dias de Lutero? A Escócia não foi sacudida pela pregação de John Knox? De onde vieram os Quakers, senão da obra de Deus com George Fox? Entretanto, as pessoas ficam tão receosas que se vai alterar a rotina regular das coisas.

Lembro que fomos a um lugar onde o pastor descobriu que sua igreja era contra sua participação nos cultos. Ele pegou os registros da igreja, e descobriu que oitenta por cento dos membros da igreja haviam se convertido em tempos de avivamento, entre eles o superintendente da Escola Dominical, e todos os oficiais da igreja, e quase todos os membros ativos.

No domingo seguinte, ele foi para a igreja e pregou um sermão sobre avivamentos, lembrando os ouvintes do que havia acontecido na história daquela congregação. E assim descobrimos que muitos daqueles que falam contra o avivamento foram eles próprios convertidos numa época de avivamento.

AVIVAMENTO AFETA A SOCIEDADE
Duncan Campbell

O que quero dizer quando falo de avivamento? Uma campanha evangelística ou série de reuniões especiais não é avivamento. Numa campanha evangelística ou cruzada, pode haver centenas ou até mesmo milhares de pessoas tomando decisões para Jesus Cristo, e no entanto, a comunidade permanecer inalterada, e as igrejas também continuarem basicamente iguais. Em um avivamento, Deus age no distrito. De repente, a comunidade torna-se sensível a Deus. O Espírito de Deus toma conta dos homens e das mulheres de tal forma que abandonem até o trabalho para se dedicar a esperar em Deus.

No meio do avivamento Lewis, o pastor da paróquia de Barvas escreveu: “O Espírito de Deus pousava de forma maravilhosa nos diversos municípios da região. Sua presença estava nos lares das pessoas, nos campos e pantanais, e até nas estradas públicas.” A presença de Deus é uma característica suprema de um avivamento enviado por Deus.

Das centenas de pessoas que encontraram com Jesus Cristo durante este tempo, nada menos que 75% se converteram antes de chegar perto de uma reunião, ou ouvir um sermão. O poder de Deus, o Espírito de Deus, estava agindo e o temor de Deus agarrava as almas das pessoas. Isto é avivamento, como diferenciado de esforços especiais no campo de evangelismo.

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