Acorde e Venda o Caixão!

Data de publicação: 17/12/2011
Este artigo pertence a: Edição 01

Por: Mario Murillo

Quero fazer-lhe uma pergunta que talvez ninguém lhe fez até hoje: Você é uma pessoa morta-viva? Explico: apesar de continuar respirando, será que aquela vida que você foi destinado a viver já morreu?

Mortos-vivos estão em toda a parte. Em alguma época os seus sonhos, suas visões, seu zelo foram apagados e no seu lugar instalou-se um nível de vida inferior. A sua linguagem corporal os denuncia: eles têm os modos de pessoas que estão simplesmente marcando passos.

Os mortos-vivos possuem algo pior do que baixa auto estima. Possuem baixa estima da vida.

Vivem em caixões lindamente decorados com a finalidade de disfarçar a imagem de morte. Estes caixotes podem ser as rotinas seguras que foram escolhidas em lugar dos destinos verdadeiros. Podem ser a vida prática e realista que apagou o fogo original da vida. Qualquer coisa em que você se esconde, qualquer coisa que mata o verdadeiro você, é um caixão.

Ao rever a sua vida no silêncio da noite, você sente a dor do comodismo?

Você sente o peso de uma vida que poderia ter vivido?

Minha intenção não é atacar os hipócritas; é apontar para o impacto tremendo que os cristãos cheios do Espírito deveriam produzir mas não produzem. Está na hora de acordar e vender os caixões!

Atualmente, o movimento carismático (Com o termo “movimento carismático” não estamos nos referindo à Renovação Católica Carismática mas a todas as igrejas, com exceção dos pentecostais tradicionais como a Assembléia de Deus e a Congregação Cristã, que crêem no batismo no Espírito Santo e o exercício dos “carismas” ou dons do Espírito) é apenas uma caricatura da sua própria mensagem. Gritamos, mas não exercemos influência. Afirmamos a nossa autoridade mas não conquistamos nenhum terreno significativo. Escrevemos cantos de vitória sobre o mal que são apropriados para as quadras de esporte mas não para o campo de batalha.

CORAÇÕES INTOXICADOS

Quando você é batizado no Espírito Santo a sua capacidade para uma vida de poder dá um salto gigantesco. Mas se recuar depois de ter recebido poder, a sua capacidade para o sofrimento aumentará na mesma proporção.

Ficamos frustrados e cansados. Atacamos as pessoas que amamos com uma ira que nós mesmos não entendemos. A nossa existência “semi-morta” nos permite estabelecer alianças com pessoas duvidosas. Substituímos a alegria e o amor por desgastados instintos de sobrevivência.

Como é que isso acontece?

Em primeiro lugar considere a condição de coração intoxicado que Matthew Henry, teólogo do sec.XVIII, previu: “Precisamos ter cuidado para que os nossos corações não sejam sobrecarregados, para que fardos pesados não sejam colocados sobre nós, de tal maneira que nos tornemos despreparados e incapacitados para fazer o que precisa ser feito.”

Nos seus escritos, Henry descreve cristãos cercados por uma geração sensual e em busca de segurança. “O uso exagerado de comida e bebida não somente sobrecarrega o coração com culpa mas também com a influência maléfica que tais abusos com o corpo causam sobre a mente; isso torna os homens morosos e sem entusiasmo para fazer o seu trabalho, sem vida e sem vontade para cumprir o seu dever; adormece a consciência, e torna a mente insensível para com aquelas coisas que mais deveriam sensibilizá-la.

“A busca desordenada pelas coisas boas deste mundo sobrecarrega o coração com os cuidados desta vida.”

Ninguém pode responder em seu lugar: você tem de ser honesto. Será que os múltiplos projéteis do medo, do desapontamento e dos prazeres sensuais o fizeram abandonar o seu destino? Você foi esmagado e amargurado pelo desapontamento, aceitando assim uma vida indevida e inválida?

Lembro-me do meu primeiro esbarrão com a morte. Foi numa reunião com o conselheiro do meu curso de segundo grau. A minha conversão veio tarde demais para salvar minhas notas! O conselheiro disse que a minha média de pontos de 1.9 era prova suficiente de que eu não tinha capacidade para cursar a faculdade.

Apesar de sentir dentro de mim que o certo era de fato enfrentar o mundo acadêmico, a orientação do conselheiro foi que eu procurasse uma escola técnica para aprender trabalhos manuais.

Senti sobre mim os tentáculos do medo que leva as pessoas a se tornarem dependentes de programas sociais do governo. A faculdade me assustava e eu sentia uma atração estranha pela segurança (lembre-se desta palavra) da proteção do governo. Membros de grupos carentes muitas vezes captam — no tom de uma observação ou pela compaixão não declarada — um senso de que são vítimas. É aquela atitude do “nós vamos tomar conta de você”.

É exatamente como me senti naquela ocasião. Na balança, estava todo o meu futuro: minha vocação, meu destino, o milagre de um testemunho para todo o mundo! Todo o subconsciente da minha experiência de gueto me ordenava a entrar no caixão.

Uma coisa que aprendi naquele dia foi que quem está cheio do Espírito Santo perde o direito de escolher quando o poder vai cair sobre sua vida. Naquele exato lugar e momento o Espírito explodiu em mim como um vulcão. Gritei com toda a força dos meus pulmões: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece!”

Fugi da cova do conselheiro e me inscrevi na faculdade. Não somente me inscrevi, mas escolhi cursos difíceis — psicologia, sociologia, ciências políticas. Minha média de pontos naquele primeiro ano foi 3,5.

UM SUBSTITUTO PARA O DESTINO

Algo muito sofisticado, maligno, poderoso e incansável está conspirando para fazer você aceitar um substituto mortífero no lugar do seu destino. Este monstro quer colocar você numa caixa — não para fazê-lo desviar da fé (isto seria óbvio demais), mas para fazê-lo viver uma vida simbólica, em vez de uma vida genuína, para ter uma “forma de piedade” negan-do-lhe, entretanto, o poder (veja 2 Tm 3.5).

“Não estaremos salvos enquanto nos sentirmos seguros,” disse Matthew Henry. Então qual é a diferença entre salvação e segurança? Segurança é a busca tresloucada de todas as coisas que afastam a incerteza. A segurança lhe oferece comida e abrigo em troca da sua liberdade.

Quando você decide inconscientemente que a sua vidinha não pode fazer nenhuma diferença, ou que o seu sonho exige demais, isto o coloca na prisão da segurança.

Salvação, por outro lado, é paz através da vitória. É colocar a sua vida num risco divino, preferindo procurar e cumprir o propósito de sua vida. Estar no centro do propósito de Deus para a sua vida é o lugar mais seguro que existe.

Está na hora de acordar e vender o caixão! É bem possível que você não seja absolutamente aquilo que pensa que é, e que não esteja fazendo aquilo que deveria fazer. Isto significa que você pode precisar ser dinamitado da sepultura de uma vida sem impacto.

 RESSURGINDO PARA UM NOVO IMPACTO

Isto nunca foi mais verdadeiro para mim do que no começo do meu ministério, quando a morte veio me visitar novamente. Estava pregando numa pequena igreja de Chico, Califórnia, para um público de 25 pessoas, na sua maior parte pessoas idosas. Eram todos cristãos, e isto era o que complicava a situação para mim porque eu estava tentando ganhar almas.

Comecei a sentir-me tão mal que no último dia fiz um voto impetuoso para Deus: Se nenhuma alma fosse salva naquela noite, eu abandonaria o ministério! Para convencer a Deus que o meu voto era sério, consegui um emprego que começaria na manhã seguinte.

Orei durante todo aquele dia. Fiz todas as orações que sabia orar. Quando finalmente cheguei naquela pequena igreja, o que vi foi a visão mais desanimadora da minha vida — um punhadinho de pessoas que sabia já serem todos crentes. Meu ministério estava acabado. O culto foi uma experiência tediosa e dolorosa que foi se arrastando a passo de tartaruga.

Quando o suplício finalmente acabou, voltei para o hotel que ficava num centro cristão de conferências onde estava hospedado. Chovia tanto que quase não enxergava a estrada. Meu primeiro pensamento era de como aquela chuva combinava bem com este momento tão escuro e tão triste da minha vida.

Meu coração estava tão partido que nem chorar conseguia. Aprontei-me para dormir sabendo que tinha de estar no novo emprego logo cedo na manhã seguinte.

Deitado ali, percebi o quanto eu desejava ser um pregador — e que agora isso nunca mais aconteceria.O telefone tocou. A voz que ouvi era a última voz no mundo que eu esperava ouvir. Era John, um colega meu do segundo grau. O John era, bem, ele era um verdadeiro idiota na escola, por isso concluí que isto só podia ser coisa de Satanás, jogando insulto em cima da minha ferida. Meu espanto aumentou quando ele disse: “Mario, eu fui salvo!” Mas o que ele disse a seguir foi mais espantoso ainda. De alguma maneira John ficou sabendo que eu estava naquele hotel. Ele agora era um líder no sistema penitenciário juvenil da Califórnia. Ele estava com 75 jovens delinqüentes e viciados em drogas num retiro no mesmo hotel onde eu estava hospedado. Ele estava ligando da portaria do hotel e disse que o preletor programado para aquela noite não pôde chegar a tempo porque as estradas estavam inundadas. O meu carro havia sido o último a passar antes da inundação começar. John precisava de um pregador e me disse: “Eu sei que é você quem deve falar para estes jovens.”

Como posso descrever-lhe a alegria e o poder que surgiram dentro de mim naquele momento? Desci voando para o vestíbulo e entrei na reunião deles. O fogo de Deus caiu sobre mim. Todos aqueles jovens foram salvos depois que preguei! Mas nem assim fiquei satisfeito. Orei e cada um recebeu o batismo no Espírito Santo.

Tão certamente quanto Lázaro ressurgiu dos mortos, eu ressurgi para o meu impacto designado. Eu estivera morto para o meu destino e nem estava sabendo.

Se você aceitou a mentira de que não pode ser equipado para derrotar o mal e causar um poderoso impacto, então acorde e venda o caixão! Se está concordando com a idéia de que a nossa nação não tem solução e que os carismáticos não podem produzir uma mudança moral duradoura, então acorde e venda o caixão!

Não somente a nossa nação é redimível, mas ela também é capaz de se tornar um país ainda maior do que já foi no passado. A chave é uma nova geração de cristãos cheios do Espírito, e começa com um profundo e sincero grito dentro de cada um dos nossos corações: “Jesus, eu quero ter um impacto novo!”

Mario Murillo é um evangelista e autor. A base de seu ministério é em San Ramon, Califórnia, EUA

2 respostas para “Acorde e Venda o Caixão!”

  1. Agatha disse:

    Deus falou muito comigo neste artigo!!Como Ele é fiel…Obrigada por esse meio de comunicação tão abençoado.

  2. Fabio disse:

    Puxa! Esse sou eu, aprisionado pela segurança, vivendo uma vida simulada e cheia de limites!

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