Achando Sem Procurar

Data de publicação: 12/01/2012
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Edição 70 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 70

Muitas vezes, quando entregamos tudo a Deus e desistimos de procurar por nossa conta, a pessoa certa aparece – ou descobrimos que ela já estava ao nosso lado!

Mantendo o Relacionamento – Mesmo a Distância!

Neilson Cassimiro da Silva

Conheci a Meire numa ocasião bastante informal, em março de 2007, numa lanchonete com amigos. Ela, sem nada premeditado, sentou-se ao meu lado. Ela era católica e bastante atuante, envolvida inclusive no ministério de louvor. Começamos a conversar e, num papo leve e honesto, trocamos pensamentos e crenças a respeito das diferenças entre a fé católica e protestante. Nenhum sentimento foi despertado naquele momento além de uma boa amizade.

Começamos a fazer parte do mesmo grupo de amigos, e a Meire passou a visitar a igreja que frequento regularmente. Graças à sabedoria e à dedicação evangelísticas de uma amiga e aos sábios conselhos de um pastor, ela acabou tendo um encontro genuíno com Jesus após um período de muita confusão mental. O processo de conversão foi um dos mais intensos que já vi, carregado de revelações diretamente do alto.

Em maio de 2007, após defender o doutorado e estar sem emprego, ela enviou projetos para algumas universidades e institutos de pesquisa no Brasil e orou ao Senhor que abrisse a porta para onde quisesse que ela fosse.

Foi só em setembro que uma amiga me disse que alguém estava me olhando de maneira “diferente” na igreja. Eu fiquei surpreso, pois embora já estivesse com 33 anos de idade, eu não estava procurando uma namorada, ainda que meu coração se encontrasse disponível. Orava ao Senhor quanto a isso, de vez em quando, descrevendo a mulher que eu desejava, mas meu foco principal, naquela época, era conhecer mais o Senhor e descobrir o que ele queria para mim.

A Meire, por fim, acabou se revelando, e lhe pedi um tempo para que eu pudesse orar e pensar a respeito. O curioso é que eu não achava a Meire necessariamente uma menina atraente fisicamente, e a recíproca era verdadeira. O que me chamava a atenção nela era o fato de ser uma pessoa bastante simples, muito responsável, bem-humorada e dedicada ao evangelismo, com forte peso missionário. E eu chamava a atenção dela por estar sempre sorridente e pelo meu hábito de sempre abraçar muitas pessoas após as reuniões na igreja.

Orei, e o Senhor nada me falou! Nem que sim, nem que não. Nada! Então, falei ao Senhor: “Pai, eu olho para a Meire e vejo valores espirituais e morais que são muito importantes para mim! Quero tentar um relacionamento com ela por causa de quem ela é, mesmo que não me sinta fisicamente atraído por ela”.

Por fim, tomei a decisão: na noite de 4 de outubro de 2007 saímos juntos, conversamos e começamos a namorar. A reação de todos foi muito boa (embora isso não deva ser a única fonte de confirmação); nossos pastores aprovaram, e nossos pais também (isso é extremante importante: uma reprovação dos pais, principalmente da mãe, é forte indício de um relacionamento que não vai dar certo).

Contudo, cerca de três semanas após começarmos o namoro, veio a notícia: um daqueles projetos de pesquisa que ela enviou e entregou ao Senhor foi aprovado, e ela foi chamada para desenvolvê-lo em Manaus, a cerca de 3.600 km de Botucatu, SP, onde ambos morávamos.

Fiquei bem abalado; não sabia se continuávamos ou não. Eu já havia tido a experiência de um namoro a distância (apesar de muito mais perto) que não deu certo e agora viveria outro ainda mais longe? Ela, porém, estava cheia de fé, crendo que poderia ser possível continuarmos se, de fato, assumíssemos esse compromisso juntos!

Pedi, então, ao Senhor que falasse comigo quanto a isso. E a resposta veio: uma irmã nos deu uma palavra de que nosso relacionamento seria abençoado pelo Senhor, mas que seria importante um tempo de separação antes de nos casarmos. Outra irmã teve uma visão de nós dois vestidos de noivo e noiva. Um irmão, numa reunião fora de Botucatu e sem conhecer nossa história, testemunhou publicamente sobre seu relacionamento no meio de uma pregação que nada tinha a ver com esse assunto: contou que começou a namorar sem estar apaixonado pela namorada e estão casados há mais de 20 anos e são felizes. Glória a Deus! Acho que o Senhor não precisava falar mais nada… Tudo isso me sustentou durante as crises por causa da distância.

Em novembro de 2007, a Meire foi então para Manaus para lá permanecer, a princípio, por dois anos. Estimamos que nos veríamos a cada cinco ou seis meses por causa dos altos preços das passagens aéreas. Justamente nessa época, os preços das passagens começaram a despencar com as promoções, e acabamos por nos ver a cada dois meses e meio em média! Deus é infinitamente misericordioso!

O começo foi difícil, mas, mês a mês, fomos vivendo o que o Senhor tinha para nós e acabamos por nos adaptar à circunstância. Tivemos lutas, sim, mas nosso amor e nossa cumplicidade cresceram. O Senhor a levou para morar próxima a uma igreja em Manaus com pessoas que a honraram muito e cuidaram dela com muito amor. Lá, ela continuou a exercer seu ministério de louvor.

O currículo dela cresceu muito graças à atividade intensa com pesquisas na Amazônia e, ao mesmo tempo, sua alma foi bastante tratada. Enquanto isso, eu fui experimentando crescimento, conquistas, aprendizados e correções por aqui. Tudo isso porque estávamos onde Deus queria que estivéssemos!

Ficamos noivos em março de 2009 e nos casamos em setembro de 2010. Durante o tempo antes e depois do casamento, tivemos problemas muito sérios com as nossas famílias, passamos por dificuldades financeiras, minha fé foi provada como nunca e tive de aprender a tomar grandes decisões. Porém, antes mesmo da bolsa de Meire terminar em Manaus, ela teve seu projeto de pós-doutorado aprovado por cinco anos. Não é chavão evangélico: Deus é fiel!

Hoje, nos amamos graças a Deus. A Meire é minha doce e meiga gatinha, e ela me acha lindo! Aprendi que o Senhor responde nossas orações quando nos propomos a um relacionamento homem-mulher do jeito que lhe agrada e não do jeito que o mundo prega, baseando-se apenas na atração física. A Meire saiu de sua terra e foi para o lugar que o Senhor mostrou para ser uma bênção, a mais de 3.600 km daqui, e nós demos certo!

Como escreveu Jaime Kemp em seu livreto A grande ideia de Deus: “se o casal é fiel ao compromisso assumido, quando vêm as tempestades, as lutas, as perseguições, as tentações, os sofrimentos, os problemas, ambos se apresentam diante de Deus, e ele lhes dá a vitória”. Amém! Toda glória ao Senhor!

-Neilson Cassimiro da Silva, 37, é assistente administrativo na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp, Botucatu, e atua no Ministério de Adolescentes na Igreja Bíblica de Botucatu.
-Meire Cristina Andrade Cassimiro da Silva, 34, é bióloga, pós-doutoranda na área de Microbiologia na Unesp, Botucatu, e atua no Ministério de Adolescentes e no Ministério de Louvor na Igreja Bíblica de Botucatu.

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A Chave é Entregar-se a Deus

Stefânia Walker

Vou compartilhar um pouco da minha história de esperar em Deus em relação ao parceiro ideal, na ótica de Deus. Com toda a certeza, o mérito da espera não foi meu, e sim do próprio Deus. Confesso que não foi fácil esperar e confiar, mas ele me encheu da sua graça, e foi um tempo em que me senti totalmente preenchida por seu amor.

Conheci Jesus em 1997 e, desde então, o sonho de me casar, que estava adormecido, voltou à tona. Eu estava com 23 anos e, por algum tempo, achei que eu mesma poderia “arranjar” esse casamento e encontrar minha alma gêmea. Todas as minhas tentativas, porém, só me fizeram chorar e machucaram muito meu coração por ter depositado esperanças onde o Senhor não estava com seus olhos. Hoje, vejo que eu estava pondo em risco o propósito de Deus para a minha vida.

O Senhor, então, me fez ver que eu tinha de descansar e não estabelecer o casamento como prioridade na minha vida. Eu estava no meu primeiro amor, e tudo o que eu mais queria era alegrar o coração do meu Pai. Assim, decidi entregar de vez, sem pegar de volta, esse sonho de menina no altar do Senhor.

Foi aí que ouvi o chamado do Senhor para trabalhar em um abrigo para crianças carentes. Ele queria testar minha entrega e confirmar para mim mesma que viver com ele e para ele era suficiente. Ele me fez descansar no seu amor, conhecendo-o como um Pai amoroso que tem prazer na nossa alegria. Ele sempre nos surpreende, tem sempre uma carta na manga e nunca nos deixa esperar além do necessário – somente o tempo suficiente para que ele se torne o alvo do nosso amor, da nossa dedicação. Aprendi, com essa experiência de entrega total, que ele não quer nos privar do objeto desejado (a menos que o objeto esteja nos causando morte), e, sim, levar-nos a um nível maior de intimidade e confiança nele. Aprendi que, quando entrego, de verdade, sem reservas, muitas vezes ele me dá de volta, com as próprias mãos, aquilo que entreguei.

Quando eu obedeci à voz de Deus para ir àquele abrigo, eu estava feliz e disposta a gastar toda a minha vida naquele lugar. Mas Deus tinha outros planos. Primeiro, porém, ele queria me fazer ver que casar não é um fim em si mesmo; o importante é dispor nossa vida para que ele realize seu plano por meio de cada um de nós, solteiro ou casado. Eu estava em paz na minha condição de solteira.

Quatro meses foram suficientes para Deus testar minha entrega. Foi nesse meio tempo que meu futuro marido apareceu por lá, e começamos uma amizade. Depois de um tempo, nasceu um sentimento mais profundo, e não tivemos dúvidas sobre a vontade de Deus de nos unirmos. Mais tarde, ele me contou que pedia a Deus uma esposa que não tivesse medo da vontade de Deus, e ele achou isso em mim. Na verdade, Johnny me achou naquele lugar, escondida e protegida pelo Senhor, e me resgatou para si.

Casamo-nos em outubro de 2000, sem maiores pretensões além de cumprir a vontade de Deus como família.

Meu esposo é o parceiro ideal que o próprio Deus preparou para mim. Ele me proporciona todo um ambiente em que eu posso desempenhar meu papel de esposa e mãe. Sei que estamos no centro de sua vontade, e trabalhamos juntos para que nossa família seja o reflexo de Deus aqui na Terra. Meu desejo de ser mãe logo se concretizou, e veio o primeiro, depois o segundo e, finalmente, o terceiro filho – todos meninos para a glória de Deus.

Johnny sempre me deu liberdade e espaço para ser o que eu sentia e sinto paz de ser, que é esposa, mãe e dona de casa. Sinto profundamente que, por enquanto, esse é o meu chamado, a minha contribuição para o avanço do Reino de Deus. Dedico-me, com o meu marido, a criar nossos filhos para serem profetas que anunciarão a volta do Amado para sua gloriosa Noiva. É o meu esposo e os nossos filhos que todos os dias me revelam o prazer que o Senhor tem no que eu estou fazendo. É o meu esposo que autentica que minha vida está alinhada com a vontade de Deus.

Sou grata ao Senhor por não permitir que as minhas tentativas fossem adiante, levando-me a sair de sua soberana vontade. Sou grata por ele ter-me consolado e confortado e me enchido de paz durante aquele tempo; por preparar meu esposo para mim do jeito que ele é, com seus defeitos e com muitas qualidades – qualidades essas que expressam para nós a imagem e a semelhança do nosso Pai; defeitos que esbarram no meu ego e que me fazem crescer e amadurecer. O Senhor não poderia ter feito escolha melhor para uma filha como eu. Sou imensamente grata e apaixonada por esse Deus maravilhoso!

-Stefânia Walker e seu marido Johnny moram na Chácara Peniel em Monte Mor e fazem parte da equipe do CPP (Curso de Preparação Profética – www.cppmontemor.com.br).

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