Abrindo as Portas de Sua Casa

Data de publicação: 29/04/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 60 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 60

Por Antônio José Barbosa

“A menos que abramos a porta de nossas casas uns aos outros, a realidade da igreja local como local de confraternização íntima da família de irmãos e irmãs amorosos é apenas uma teoria” (John Dee em De volta às origens).

Só quem abriu a casa para fazer reuniões sabe o quanto isso faz a diferença: como os momentos vividos ali são os mais diversos e gratificantes, e como a presença de Deus aparece quando menos se espera.

Às vezes, a reunião caminha para o fim, e a sensação é igual em todos: “Por que ELE não apareceu?”. Depois, sentados à mesa com os irmãos, fazendo um lanche (porque sempre tem um lanche no final), alguém faz uma pergunta simples sobre algo que ouviu ou leu, e começa ali um momento de reflexão. Pronto! ELE, que foi tão esperado algum tempo antes (e não veio), de repente aparece, enchendo todo o ambiente. Percebe-se, rapidamente, sua presença, e todos somos tocados.

Em outras ocasiões, colocamos um CD com a pregação de algum irmão, e, só de ficarmos ouvindo e buscando entender, começamos a perceber alguém sendo tocado em um canto, outro em outro, e logo todos são ministrados pelo Senhor. É assim que acontece, na simplicidade, sem nada programado ou arranjado; a única coisa certa é o lugar de se encontrar, porque o horário – bem, esse ninguém cumpre mesmo, não é?

Muitas vezes, nos reunimos e não fazemos mais nada além de ouvir um irmão ou irmã lamentando-se dos problemas em seu casamento, desabafando toda a sua tristeza e decepção. Quando comentei, certa vez, esse fato com uma pessoa bem vivida no Evangelho, ela reagiu de forma bem taxativa: “Repreenda aquela irmã em nome de Jesus, pois está sendo usada pelo inimigo para atrapalhar a reunião”.

Na hora, levei um susto. Não quis desapontar minha interlocutora, mas pensei comigo: Não seria justamente para ouvirmos o desabafo da irmã que nos reunimos naquele dia mesmo sem saber? Não seria um momento preparado por Deus para que essa pessoa encontrasse um lugar de consolo e abrigo? Quantas vezes ouvimos notícias de pessoas que abreviaram a vida por estarem sós no mundo, sem ninguém que as pudesse ouvir, que lhes pudesse trazer consolo ou orar com elas?

A casa tem este mistério: é lar, é lugar de família, tem filhos, tem móveis, gera ambiente de intimidade familiar, faz com que nos sintamos à vontade. Creio, de todo o coração, que é isso o que Deus busca em nós todas as vezes em que nos reunimos: familiaridade. É como quando nos casamos e vamos para nossa casa, mas, depois, voltamos à casa dos pais e nos sentimos bem à vontade. A casa do meu pai ainda é a minha casa! Por isso, a melhor descrição da igreja nos lares é a “casa do PAI”.

A intimidade pode ter dois lados, e, às vezes, acontecem alguns fatos interessantes. Em certa ocasião, um irmão falava duro com sua esposa a respeito de algo que aconteceu errado e que não deveria mais acontecer; ele estava em pé, e a esposa, sentada no sofá. De repente, outro casal já estava dentro de casa, participando (sem querer, é claro) daquela situação. O que se pode fazer? É intimidade entre irmãos; é ser família.

Só pode falar sobre esse assunto quem vivenciou tal experiência, pois foge demais da teoria. Não existem modelos; cada dia é uma experiência nova e abundante, o amor cresce exponencialmente entre os participantes, os mais velhos ou mais experientes tornam-se pais, as pessoas crescem a olhos vistos (como dizia minha mãe), e a felicidade de perceber o crescimento de todos é maravilhosa.

Há também alguns momentos mais complicados, como quando se convida alguém para vir, e ele não vem ou aparece apenas uma vez e não volta mais. É triste porque sabemos o quanto seria bom para essa pessoa se ela ficasse.

É importante compreender que não há regras para se formar um grupo; não é baseado em afinidade ou localização, mas Deus é quem envia as pessoas que devem ficar aqui ou ali independentemente de qualquer fator humano.

Creio nas reuniões nos lares para cura do Corpo de Cristo, para envolvimento com a Palavra de Deus, para uma adoração sem máscaras, sem se esconder atrás disso ou daquilo, para que haja VIDA no meio do povo de Deus.

Creio nas reuniões nos lares para ajuda ao carente, seja ele carente do que for, crente ou descrente.

O único manual que podemos consultar sobre como se devem realizar tais reuniões é a Bíblia, pois mostra como Jesus agia. (Já notou como ele sempre estava indo à casa de alguém? Sem motivo é que não era!)

Não é difícil abrir a casa para reuniões desse tipo; difícil seria fechar a casa, pois, nesse ambiente, mesmo quando ocorre algum problema ou o Senhor resolve, em sua soberania, não aparecer (às vezes acontece; é raro, mas acontece), mesmo que faltem alguns ou você esteja cansado, você não vai querer acabar com os momentos preciosos das reuniões de amizade que geram compromisso uns com os outros e, principalmente, com ELE.

Testemunho pessoal de Antônio José Barbosa, Botucatu, SP.

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