A Literatura de Auto-Ajuda Através do Tempo

Data de publicação: 14/07/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 58 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 58

Por: Jesus Ourives

Embora o excelente resultado de vendas do livro O Segredo, da jornalista Rhonda Byrne (milhões de exemplares do livro vendidos e outros milhões do DVD) impressione, esse fenômeno não é recente. Livros de auto-ajuda já existem desde o século 18, pois, em 1733, foram publicados Poor Richard’s Almanack (Almanaque do Pobre Richard), por Benjamin Franklin nas colônias norte-americanas, e, mais tarde, sua autobiografia, também considerada um clássico da auto-ajuda.

No século 19 e no princípio do século 20, aparecerem algumas obras que são consideradas referências desse tipo de livro: As a Man Thinketh (Assim Como o Homem Pensa) de James Allen, um autor inglês (o título é extraído de Provérbios 23.7), e Acres of Diamond (Terras de Diamantes) de Russel Conwell (pastor batista), que apareceu em forma de livro em 1915.

Foi a partir do meado do século 20, porém, que a literatura de auto-ajuda começou a trajetória de crescimento extraordinário. Os meios de comunicação, ainda sem o computador e a Internet, entraram também, complementando os livros com discos de vinil e fitas cassete que reforçavam a mensagem escrita. Foi nessa época que apareceram os autores que mais se destacaram e que até hoje são referência:

DALE CARNEGIE, cujo livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, lançado em 1937, foi um dos primeiros grandes sucessos nessa linha. Até hoje, é considerado um dos livros mais lidos em todo o mundo. Em 1955, quando da morte do autor, a cifra extraordinária de 5 milhões de exemplares já havia sido vendida em 31 línguas. O Instituto Dale Carnegie continua funcionando até hoje. “Você pode superar qualquer temor desde que se decida a fazê-lo. Não se esqueça que o medo e a insegurança existem apenas na sua mente. Você pode ser e fazer muito mais do que jamais imaginou. Descubra quem é você e quanta força você tem, junte tudo isso à ação e sua vida jamais será a mesma. Decida-se a ser grande e você será. Tudo está em sua mente.”

W.CLEMENT STONE, filantropo famoso e criador da sigla PMA, que, em inglês, quer dizer Atitude Mental Positiva. Escreveu com Napoleon Hill o livro Sucesso Através da Atitude Mental Positiva (1960). Os dois fundaram a revista Success Unlimited (Sucesso sem Limites), que existe até hoje. Ele esperava que seus empregados iniciassem cada dia proclamando juntos: “Estou feliz! Estou saudável! Sinto-me ma-ra-vi-lho-so!!!”

NAPOLEON HILL, responsável por uma pesquisa histórica com duração de 20 anos (1908-1928), na qual milhares de homens de negócio bem-sucedidos em várias partes do mundo foram entrevistados. Com base nessa pesquisa, escreveu o livro A Lei do Triunfo, um clássico entre as obras de auto-ajuda. Outro livro dele, Pense e Enriqueça, publicado em 1937, vendeu mais de 30 milhões de exemplares. Sua frase célebre: “Se minha mente consegue imaginar, então eu consigo realizar”.

OG MANDINO, autor de vários livros, dentre os quais um dos mais conhecidos é O Maior Vendedor do Mundo (publicado em 1968). Mais de 50 milhões de exemplares de seus livros já foram vendidos em mais de 25 línguas. “Cada ato memorável na história do mundo representa um triunfo do entusiasmo. Nada de grande jamais foi alcançado sem entusiasmo porque é ele que confere a qualquer desafio, por mais aterrador que seja, e a qualquer ocupação, por mais difícil que seja, um novo significado. Sem entusiasmo, você será fadado a uma vida medíocre, mas com entusiasmo você pode realizar milagres.”

Em uma edição da revista Success Unlimited (novembro de 1976), houve anúncios de 80 (oitenta) livros de auto-ajuda só nos Estados Unidos.

Pastores que Também Escreveram sobre Auto-ajuda

NORMAN VINCENT PEALE, pastor da Igreja Marble Collegiate por 52 anos em Nova York; seu livro mais famoso é O Poder do Pensamento Positivo. É considerado o introdutor da psicologia moderna nas igrejas.

ROBERT SCHULLER, pastor de uma grande igreja na Califórnia conhecida como Catedral de Cristal; o livro que representa a essência de sua pregação tem o título O Pensamento da Possibilidade.

DAVID (PAUL) YONGGI CHO, pastor sul-coreano da igreja que é considerada a maior igreja evangélica do mundo. Em seu livro A Quarta Dimensão, ele sugere que as pessoas “engravidem” de seus desejos para torná-los realidade.

JOEL OSTEEN, pastor da Igreja Lakewood, em Houston, EUA, é atualmente um dos nomes mais em evidência nos Estados Unidos. Dentre seus livros, estão Só Depende de Você e O Que Há de Melhor em Você.

Uma Fonte Antiga de Auto-ajuda?

As listas acima são apenas representativas; há incontáveis autores, livros e linhas, do passado e do presente, que não foram mencionados, mas que poderiam ser enquadrados em algum tipo de auto-ajuda.

Na verdade, como afirma o livro O Segredo, essas idéias sempre existiram. É um estudo fascinante passar pela literatura mundial e identificar as premissas essenciais em quase todas as épocas da história.

Tal pesquisa histórica e literária traz, sem dúvida, grandes surpresas. Nenhuma, porém, maior do que a identificação do livro mais distribuído e lido em todo o mundo como fonte primária de auto-ajuda. Veja, nesse sentido, o testemunho de um dos maiores autores do gênero, Og Mandino. No final de seu livro O Maior Segredo do Mundo, ele se propõe a indicar os “Doze Maiores Livros de Auto-aperfeiçoamento” de acordo com sua opinião. Depois de dar os nomes de 11 livros, ele escreve:

“Mas aí estão só onze, você dirá. Bem… a oportunidade é excelente para você pensar que talvez o décimo segundo você tenha em sua casa. Talvez você não o folheie há anos, mas ele está lá, esperando pacientemente servi-lo… e é um reservatório ilimitado que tem sido usado e será usado em quase todo livro de auxílio próprio: a Bíblia.”

É aí que está o grande choque: os grandes gurus da auto-ajuda realmente encontram base para o que afirmam nas páginas das Sagradas Escrituras. Tanto é que alguns pastores também adotaram princípios de auto-ajuda ou pensamento positivo em seus livros e pregações. Mais do que isso: quando você lê ou ouve algumas das afirmações nos livros, cursos e palestras, é impossível não sentir que há algo que inspira, desafia e motiva ali, que pode estar faltando em muitos círculos cristãos ortodoxos.

Portanto, está diante de nós um grande desafio: identificar as distorções, o veneno misturado com o leite, mas continuar em busca do verdadeiro segredo, sabendo que existe algo realmente capaz de liberar nosso potencial em Deus.

Uma resposta para “A Literatura de Auto-Ajuda Através do Tempo”

  1. Luiz disse:

    Gostei. Pensei a princípio ser uma crítica preconceituosa…

    Luiz Leite

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