A Igreja do Século XXI – O Processo de Declínio

Data de publicação: 12/12/2011
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Edição 04 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 04

Por: John Walker

A Igreja do Século XXI – O Processo de Declínio: Como Desativá-lo?

Durante toda a história da igreja, cada novo movimento que surge parece destinado a passar pelo seguinte ciclo: inspiração, evangelização, organização, construção, educação e estagnação. Será que esse processo deprimente é inevitável, ou existe alguma forma de quebrar o ciclo? Eu creio que existe, se honestamente começarmos a praticar os princípios expostos no Novo Testamento.

Inspiração implica numa obra do Espírito Santo. Evangelização significa simplesmente compartilhar as boas novas como fomos ordenados a fazer na “grande comissão”(Mt 28.19-20). Mas é quando chegamos na fase de organização que os problemas começam. A mão do homem começa a segurar a arca (2 Sm 6.6,7). O espírito de inspiração é substituído pelo espírito de preservação humana. O que Deus começou, o homem começa a organizar. Isto significa que não precisaremos depender da obra do Espírito Santo porque a organização humana vai “preservá-la” para a posteridade. Um movimento transformou-se num monumento! O que o homem não gosta de fazer é depender de Deus. Ele gosta da inspiração, mas em seguida passa a assumir o comando.

A próxima fase é construção. Esta é a coisa mais lógica a fazer quando se está levantando um monumento. Toda organização precisa de um edifício para suas reuniões. É importante observar aqui, que nos primeiros duzentos anos de vida da igreja, não se construíam templos ou locais de reuniões. Uma razão para isso, sem dúvida, era porque as autoridades romanas não o permitiam. Mas será que foi apenas uma coincidência o fato de que quando a igreja foi legalizada e organizada e templos foram construídos, a inspiração do Espírito Santo começou a desaparecer? Eu acho que não.

Quando a obra do Espírito Santo desaparece é necessário organizar e construir para o “clero” controlar melhor os “leigos”. O homem consegue fazer muita coisa sem Deus, e à medida que o número de membros cresce, os templos ficam cada vez maiores e mais caros. Lembra-se da torre de Babel?

O princípio bíblico que está sendo desprezado aqui é aquele que Jesus enfatizou vez após vez através dos evangelhos: “Qualquer que procurar preservar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, conservá-la-á (Lc 17.33). As Escrituras nos admoestam vez após vez a dar, não preservar. A grande comissão nos ordena a ir, não construir e chamar as pessoas para vir a nós. Ao invés de construir estes lindos palácios com todo luxo e tecnologia, não seria muito melhor simplesmente ir e pregar o evangelho, e usar os recursos que entrassem, depois de suprir as necessidades básicas dos obreiros, para simplesmente dar aos pobres e necessitados ou sustentar outros no trabalho da evangelização? Não há necessidade de nomes, títulos e monumentos. O Espírito de Deus fica ofendido e vai embora e nós nem percebemos porque estamos tão impressionados com nossa própria grandeza.

Alguns poderão perguntar: E a necessidade de um local para os crentes se reunirem? Repito: A igreja primitiva não estava preocupada com isto. “E perse-verando unânimes todos os dias no templo (A palavra ‘templo’ aqui refere ao “pórtico de Salomão” – At 3.11 ;5.12. Em nossos dias, seria algum lugar público, como uma praça.) e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos”(At 2.46,47). Se o grupo cresce, então como qualquer célula sadia que tem um núcleo, ele pode dividir e outros lares poderão abrir suas portas para reuniões. O núcleo é Jesus, a palavra viva. Nunca teremos uma palavra viva se organizamos e construímos e convidamos as pessoas para vir. Temos que ir com amor e sacrifício como Jesus nos ordenou, e então ele estará conosco, como prometeu, até a consumação dos séculos (Mt 28.20; Mc 16.20).

Haverá, obviamente, momentos quando um local maior para reuniões será necessário para seminários ou celebrações. Nestes casos um salão poderia ser alugado ou emprestado sem os custos de construção e o orgulho de possuir e de ter um “nome”.

A próxima fase depois de construção é educação. Por favor preste muita atenção. Educação é uma boa coisa. Médicos e hospitais também são boas coisas. O mundo precisa de todas essas coisas, inclusive de governantes, policiais etc. Mas se examinarmos o Novo Testamento, veremos Jesus curando os doentes e fazendo discípulos. Ele não organizou escolas bíblicas! Espero que você continuará me amando, se eu disser que escolas bíblicas preservam as doutrinas da Bíblia mas não produzem a palavra viva. Fazer discípulos é ir e ensinar ao mesmo tempo. O ensinamento sistemático da palavra é importante tanto para a igreja quanto para os obreiros mas isso pode ser feito através de seminários e cursos especiais como Watchman Nee costumava fazer. Seus muitos livros são frutos desses cursos ou retiros especiais. Não é necessário fundar escolas com prédios caros e altos custos de manutenção. É necessário continuar sendo sempre um movimento e não um monumento em honra a uma inspiração passada.

Que o Senhor nos ajude a estudar as Escrituras e ver se as coisas são de fato assim, como os nobres bereanos (At 17.11), e quebrar este ciclo que só termina em estagnação.

John Walker é missionário independente norte-americano e escritor.

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