A Disciplina da Solitude

Data de publicação: 17/11/2011
Categorias da Biblioteca:
Edição 21 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 21

Por: Richard J. Foster

Jesus chama-nos da solidão para a solitude. O medo de ficarem sozinhas petrifica as pessoas, e as impulsiona para o barulho e para as multidões. Conservamos uma constante torrente de palavras mesmo que sejam ocas. Compramos rádios que prendemos ao nosso pulso ou ajustamos ao nossos ouvidos de sorte que, se não houver ninguém por perto, pelo menos não estamos condenados ao silêncio.

Mas a solidão ou o barulho não são nossas únicas alternativas. Podemos cultivar uma solitude e um silêncio interiores que nos livram da solidão e do medo. Solidão é vazio interior. Solitude é realização interior. Solitude não é, antes de tudo, um lugar, mas um estado da mente e do coração.

Há uma solitude do coração que pode ser mantida em todas as ocasiões. As multidões, ou a sua ausência, têm pouco que ver com este estado atentivo interior. É perfeitamente possível ser um eremita e viver no deserto e nunca experimentar a solitude. Mas se possuirmos solitude interior nunca teremos medo de ficar sozinhos, pois sabemos que não estamos sós. Nem tememos estar com outros, pois eles não nos controlam. Em meio ao ruído e confusão encontramos calma num profundo silêncio interior.

A solitude interior há de manifestar-se exteriormente. Haverá a liberdade de estar sozinhos, não para nos afastarmos das pessoas, mas para poder ouvi-las melhor. Jesus viveu em “solitude do coração” interior. Também freqüentemente experimentou solitude exterior. Ele começou seu ministério passando quarenta dias sozinho no deserto (Mateus 4.1-11). Antes de escolher os doze, ele passou a noite inteira sozinho no monte deserto (Lucas 6.12). Quando recebeu a notícia da morte de João Batista, Jesus “retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte” (Mateus 14.13). Após a alimentação miraculosa dos cinco mil, Jesus mandou que os discípulos partissem; então despediu as multidões e “subiu ao monte a fim de orar sozinho…”(Mateus 14.23). Após um longo dia de trabalho, “tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava” (Marcos 1.35). Quando os doze retornaram de uma missão de pregação e curas, Jesus os instruiu: “Vinde repousar um pouco, à parte…” (Marcos 6.31). Depois da cura de um leproso, Jesus “se retirava para lugares solitários, e orava” (Lucas 5.16). Com três discípulos ele buscou o silêncio de um monte solitário como palco para a transfiguração (Mateus 17.1-9). Enquanto se preparava para sua mais sublime e mais santa obra, Jesus buscou a solitude do jardim do Getsêmani (Mateus 26.36-46). Pode-se prosseguir, mas talvez isto seja suficiente para mostrar que a busca de um lugar solitário era uma prática regular de Jesus. Igualmente deve ser conosco.

Em Life Together (Vida Juntos), Dietrich Bonhoeffer deu a um de seus capítulos o título de “O Dia Juntos”, e com percepção intitulou o capítulo seguinte “O Dia Sozinho”. Ambos são fundamentais para o êxito espiritual. Escreveu ele:

“Aquele que não pode estar sozinho, tome cuidado com a comunidade… Aquele que não está em comunidade, cuidado com o estar sozinho…Cada uma dessas situações tem, de si mesma, profundas ciladas e perigos. Quem desejar a comunhão sem solitude mergulha no vazio de palavras e sentimentos, e quem busca a solitude sem comunhão perece no abismo da vaidade, da arrogância e do desespero.”

Portanto, se desejarmos estar com os outros de modo significativo, devemos buscar o silêncio recriador da solitude. Se desejarmos estar sozinhos em segurança, devemos buscar a companhia e a responsabilidade dos outros. Se desejarmos viver em obediência, devemos cultivar a ambos.

Solitude e Silêncio

Sem silêncio não há solitude. Muito embora o silêncio às vezes envolva a ausência de linguagem, ele sempre envolve o ato de ouvir. O simples refrear-se de conversar, sem um coração atento à voz de Deus, não é silêncio.

Devemos entender a ligação que há entre solitude interior e silêncio interior. Os dois são inseparáveis. Todos os mestres da vida interior falam dos dois de um só fôlego (por exemplo, Imitação de Cristo de Thomas de Kempis, Vida Juntos de Dietrich Bonhoeffer, e Pensamentos em Solitude de Thomas Merton). Devemos, pois, necessariamente entender e experimentar o poder transformador do silêncio se desejarmos conhecer a solitude.

A finalidade do silêncio e da solitude é poder ouvir. O controle, e não a ausência de ruído, é a chave do silêncio. Tiago compreendeu claramente que a pessoa capaz de controlar a língua é perfeita (Tiago 3.1-12). Sob a disciplina do silêncio e da solitude aprendemos quando falar e quando refrear-nos de falar. A pessoa que considera as disciplinas como leis, sempre transformará o silêncio em algo absurdo: “Não falarei durante os próximos quarenta dias!” Esta é sempre uma grave tentação para o verdadeiro discípulo que deseja viver em silêncio e solitude. Thomas de Kempis escreveu: “É mais fácil estar totalmente em silêncio do que falar com moderação”. O sábio pregador de Eclesiastes disse que há “tempo de estar calado, e tempo de falar” (Eclesiastes 3.7). O controle é a chave.

O Sacrifício de Tolos

Lemos em Eclesiastes: “Chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos” (Ec 5.1). O sacrifício de tolos é conversa religiosa de iniciativa humana. O pregador continua: “Não te precipites com tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu na terra; portanto sejam poucas as tuas palavras” (Ec 5.2).

Quando Jesus tomou a Pedro, Tiago e João e os levou ao monte e foi transfigurado diante deles, Moisés e Elias apareceram e entabularam conversa com Jesus. O texto grego prossegue: “E respondendo, Pedro disse-lhes… se queres, farei aqui três tendas…” (Mateus 7.14). Isto é expressivo. Não havia alguém falando com Pedro. Ele estava oferecendo sacrifício de tolos.

O Diário de John Woolman contém um comovente e terno relato da aprendizagem do controle da língua. Suas palavras são tão significativas que é melhor citá-las aqui:

“Eu ia a reuniões num terrível estado mental, e me esforçava por estar interiormente familiarizado com a linguagem do verdadeiro Pastor. Um dia, encontrando-me sob forte operação do Espírito, levantei-me e disse algumas palavras numa reunião; mas não me mantendo junto à abertura Divina, falei mais do que era exigido de mim. Percebendo logo meu erro, fiquei com a mente aflita algumas semanas, sem nenhuma luz ou consolo, ao ponto mesmo de não encontrar satisfação em nada. Lembrava-me de Deus, e ficava perturbado, e no auge de minha tristeza ele teve piedade de mim e enviou o Consolador. Então senti o pecado de minha ofensa; minha mente ficou calma e tranqüila, e senti-me verdadeiramente grato ao meu gracioso Redentor por suas misericórdias. Cerca de seis meses após este incidente, sentindo aberta a fonte de amor Divino, e interesse por falar, proferi umas poucas palavras em uma reunião, nas quais encontrei paz. Sendo assim humilhado e disciplinado sob a cruz, minha compreensão tornou-se mais fortalecida para distinguir o espírito puro que interiormente se move sobre o coração, que me ensinou a esperar em silêncio, às vezes durante muitas semanas, até que senti aquele fluxo que prepara a criatura para posicionar-se como uma trombeta, através da qual o Senhor fala ao seu rebanho.”

Que descrição do processo de aprendizado pelo qual se passa na disciplina do silêncio! De particular significado foi o aumento de sua capacidade, proveniente desta experiência, de “distinguir o espírito puro que interiormente se move sobre o coração”.

Um motivo de quase não agüentarmos permanecer em silêncio é que ele nos faz sentir desamparados. Estamos demais acostumados a depender das palavras para manobrar e controlar os outros. Se estivermos em silêncio, quem assumirá o controle? Deus fará isto; mas nunca deixaremos que ele assuma o controle enquanto não confiarmos nele. O silêncio está intimamente relacionado com a confiança.

A língua é nossa mais poderosa arma de manipulação. Uma frenética torrente de palavras flui de nós porque estamos num constante processo de ajustar nossa imagem pública. Tememos muito o que pensamos que as outras pessoas vêem em nós, de modo que falamos a fim de corrigir o entendimento delas. Se fiz alguma coisa errada e descubro que você sabe disso, serei muito tentado a ajudá-lo a entender minha ação! O silêncio é uma das mais profundas disciplinas do Espírito simplesmente porque ela põe um paradeiro nisso.

Um dos frutos do silêncio é a liberdade de deixar que nossa justificação fique inteiramente com Deus. Não temos necessidade de corrigir os outros. Há uma história de um monge medieval que estava sendo injustamente acusado de certos erros. Certo dia ele olhava pela janela e viu lá fora um cachorro a morder e rasgar um tapete que fora pendurado para secar. Enquanto ele observava, o Senhor falou-lhe, dizendo: “É isso que estou fazendo com sua reputação. Mas se você confiar em mim, não terá necessidade de preocupar-se com as opiniões dos outros.” Talvez, mais do que qualquer outra coisa, o silêncio leva-nos a crer que Deus pode justificar e endireitar tudo.

George Fox falava com freqüência do “espírito de escravidão” (Romanos 8.14), e de como o mundo jaz nesse espírito. Freqüentemente ele identificava o espírito de escravidão com o espírito de subserviência a outros seres humanos. Em seu Diário ele falava de “ajudar as pessoas a escapar dos homens”, afastá-las do espírito de escravidão à lei mediante outros seres humanos. O silêncio é o principal meio de conduzir-nos a esse livramento.

A língua é um termômetro; ela diz qual é a nossa temperatura espiritual. Ela é, também, um termostato; controla nossa temperatura espiritual. O controle da nossa língua pode significar tudo. Somente quando tivermos aprendido a estar verdadeiramente calados é que estaremos capacitados para proferir a palavra necessária no momento oportuno.

É na solitude que chegamos a experimentar o “silêncio de Deus” e assim receber o silêncio interior que é o anseio de nosso coração.

A Noite Escura da Alma

Levar a sério a disciplina da solitude significará que em algum ponto ou pontos no curso da peregrinação entraremos no que S. João da Cruz vividamente descreveu como “a noite escura da alma”. A “noite escura” para a qual ele nos chama não é algo mau ou destrutivo. Pelo contrário, é uma experiência a ser recebida com agrado do mesmo modo que uma pessoa enferma receberia com agrado uma cirurgia que promete saúde e bem-estar. A finalidade da escuridão não é castigar-nos ou afligir-nos. É libertar-nos.

Que significa entrar na noite escura da alma? Pode ser um senso de aridez, de depressão, até mesmo o de sentir-se perdido. Ela nos despoja de dependência excessiva à vida emocional. A noção, tantas vezes ouvida hoje, de que tais experiências podem ser evitadas e que devíamos viver em paz e conforto, alegria e celebração, só revela o fato de que muito da experiência contemporânea não passa de sentimentalismo superficial. A noite escura é um dos meios de Deus levar-nos à tranqüilidade, à calma, de modo que ele possa operar a transformação interior da alma.

Como se expressa essa noite na vida diária? Quando se busca seriamente a solitude, geralmente há um fluxo de êxito inicial e então um desânimo inevitável — e com ele um desejo de abandonar por completo a busca. Os sentimentos vão-se embora e fica o senso de que não alcançamos Deus. S. João da Cruz descreveu-o deste modo: “Acima de tudo paira uma densa e cansativa nuvem que aflige a alma e a conserva afastada de Deus”.

Em outro lugar o mesmo autor usa duas vezes a frase: “Estando minha casa agora totalmente calada”. Nessa expressiva linha ele indicava a importância de silenciar todos os sentidos físicos, emocionais, psicológicos, e mesmo espirituais. Toda distração do corpo, mente e espírito deve ser posta numa espécie de animação suspensa antes que possa ocorrer esta profunda obra de Deus na alma. O anestésico deve fazer efeito antes que se realize a cirurgia. Virá o silêncio, a paz, a tranqüilidade interiores. Durante esse tempo de escuridão, a leitura da Bíblia, os sermões, o debate intelectual — tudo falhará em comover ou emocionar.

Quando o amoroso Deus nos atrai para uma escura noite da alma, muitas vezes somos tentados a culpar todo o mundo e todas as coisas por nosso entorpecimento interior e procuramos livrar-nos dela. O pregador é maçante. O cântico de hinos é tão fraco. Talvez comecemos a andar por aí à procura de uma igreja ou de uma experiência que nos dê “arrepios espirituais”. Esse é um grave engano. Reconheça a noite escura pelo que ela é. Seja agradecido porque Deus o está amorosamente desviando de toda distração, de modo que você possa vê-lo. Em vez de ridicularizar e brigar, acalme-se e espere.

Não estou aqui a falar de entorpecimento espiritual que vem como resultado de pecado ou desobediência. Falo da pessoa que busca a Deus com afã e não abriga pecado conhecido em seu coração.

“Quem há entre vós que tema ao Senhor, e ouça a voz do seu Servo; que andou em trevas sem nenhuma luz, e ainda confiou em o nome do Senhor e se firmou sobre o seu Deus?” (Is 50.10).

O ponto da passagem bíblica é que é perfeitamente possível temer, obedecer, confiar e firmar-se no Senhor e ainda “andar em trevas sem nenhuma luz”. A pessoa vive em obediência mas entrou numa noite escura da alma.

Que deveríamos fazer durante essa época de aflição interior? Primeiro, não leve em consideração o conselho dos amigos bem-intencionados de livrar-se da situação. Eles não entendem o que está acontecendo. Nossa época é tão ignorante destas coisas que não lhe recomendo conversar sobre esses assuntos. Acima de tudo, não tente explicar nem justificar por que você parece estar “aborrecido”. Deus é seu justificador; entregue seu caso a ele. Se você pode, realmente, retirar-se para um “lugar deserto” durante algum tempo, faça-o. Se não, cumpra suas tarefas diárias. Mas, esteja no “deserto” ou em casa, mantenha no coração um profundo, interior e atencioso silêncio — e haja silêncio até que a obra da solitude se complete.

Passos Para a Solitude

As Disciplinas Espirituais são coisas que fazemos. Nunca devemos perder de vista esse fato. Podemos falar piedosamente acerca da “solitude do coração”, mas se isto, de certo modo, não abrir caminho para nossa experiência, então erramos o alvo das disciplinas. Estamos lidando com ações, e não apenas com estados mentais. Não é suficiente dizer: “Bem, muito certamente estou na posse da solitude e silêncio interiores; não há nada que eu necessite fazer”. Todos quantos chegaram aos silêncios vivos fizeram determinadas coisas, ordenaram suas vidas de uma forma especial, de modo que recebessem a “paz de Deus, que excede todo o entendimento”. Se desejamos ter êxito, devemos ir além do teórico para as situações da vida.

Quais são alguns passos para a solitude? A primeira coisa que podemos fazer é tirar vantagem das “pequenas solitudes” que enchem nosso dia. Consideremos a solitude daqueles primeiros momentos matutinos na cama, antes que a família desperte. Pense na solitude de uma xícara de café pela manhã, antes de começar o trabalho do dia. Existe a solitude de pára-choque de um carro junto ao pára-choque de outro durante a correria do tráfego na hora de mais movimento. Pode haver poucos momentos de descanso e refrigério quando dobramos uma esquina e vemos uma flor ou uma árvore. Em vez da oração audível antes de uma refeição, considere convidar a todos para reunir-se em uns poucos momentos de silêncio.
Saia um pouquinho antes de ir deitar-se, e prove a noite silenciosa.

Muitas vezes perdemos esses pequeninos lapsos de tempo. Que pena! Eles podem e deveriam ser redimidos. São momentos para silêncio interior, para reorientar nossas vidas como o ponteiro de uma bússola. São pequenos momentos que nos ajudam a estar genuinamente presentes onde estamos.

Que mais podemos fazer? Podemos encontrar ou criar um “lugar tranqüilo” para silêncio e solitude. Constantemente estão sendo construídas novas casas. Por que não insistir que um pequeno santuário interior seja incluído nas plantas, um pequeno lugar onde um membro da família possa estar a sós em silêncio? Que é que nos impede? Construímos esmeradas salas de estar, e achamos que o custo vale a pena. Se você já possuiu uma casa, considere murar uma pequena seção da garagem ou do pátio. Se mora num apartamento, seja criativo e ache outros meios de permitir-se a solitude. Sei de uma família que tem uma cadeira especial; sempre que uma pessoa se assenta nela, é como estar dizendo: “Por favor, não me amole; quero estar a sós”.

Encontre lugares fora de sua casa: um local num parque, o santuário de uma igreja (dessas que mantêm abertas sua portas), mesmo um depósito em algum lugar. Um centro de retiro perto de nós construiu uma bonita cabana para uma pessoa, especificamente para meditação particular e solitude. Chama-se “Lugar Tranqüilo”. As igrejas investem somas enormes de dinheiro em edifícios. Que tal construir um lugar aonde alguém possa ir para estar a sós durante alguns dias?

Procure observar quantas vezes suas palavras representam uma tentativa frenética de explicar e justificar suas ações. Tendo observado isto em você mesmo, experimente praticar ações sem nenhuma palavra de explicação. Note seu senso de temor de que as pessoas o entendam mal por que você fez o que fez. Tente deixar que Deus seja seu justificador.

Discipline-se de modo que as suas palavras sejam poucas mas digam muito. Torne-se conhecido como uma pessoa que, quando fala, sempre tem algo a dizer. Mantenha clara sua linguagem. Faça o que diz que fará. “Melhor é que não votes do que votes e não cumpras” (Eclesiastes 5.5). Quando a língua se encontra sob a nossa autoridade, as palavras de Bonhoeffer se tornam verdadeiras em relação a nós: “Muita coisa desnecessária fica por dizer. Mas a coisa essencial e útil pode ser dita em poucas palavras”.

Dê outro passo. Tente viver um dia inteiro sem proferir palavra alguma. Faça-o, não como uma lei, mas como um experimento. Note seus sentimentos de desamparo e excessiva dependência das palavras para comunicar-se. Procure encontrar novos meios de relacionar-se com outros, que não dependam de palavras. Aproveite, saboreie o dia. Aprenda com ele.

Quatro vezes por ano retire-se durante três a quatro horas com a finalidade de reorientar os alvos de sua vida. Isto pode ser facilmente feito em uma noite. Fique até tarde no escritório, faça-o em casa, ou procure um canto sossegado em uma biblioteca pública. Reavalie suas metas e objetivos. Que é que você deseja ver realizado daqui a um ano? Daqui a dez anos? Nossa tendência é superestimar em alto grau o que podemos realizar em um ano, e subestimar em alto grau o que podemos realizar em dez. Estabeleça metas realistas, mas esteja disposto a sonhar, a esforçar-se. No sossego dessas breves horas, ouça o trovão da voz de Deus. Mantenha um registro diário do que lhe acontece.

A reorientação e fixação de metas não precisam ser frias e calculadas, como alguns imaginam, feitas com uma mentalidade de análise de mercado. Pode ser que ao entrar num silêncio atento, você receba a deliciosa impressão de que este ano deseja aprender a tecer ou trabalhar com cerâmica. Essa lhe parece uma meta muito terrestre, antiespiritual? Deus está intencionalmente interessado em tais questões. Você está? Talvez deseje aprender (experimentar) mais acerca dos dons espirituais de milagres, de cura e de línguas. Ou você pode fazer como um amigo que sei que está gastando longos períodos de tempo experimentando o dom de socorros, aprendendo a ser servo. Talvez no próximo ano você gostaria de ler todas as obras de C. S. Lewis ou de D. Elton Trueblood. A escolha desses alvos soa-lhe como jogo de manipulação de um vendedor? Claro que não. Não se trata de meramente estabelecer uma direção para a sua vida. Você está indo para algum lugar, por isso é muito melhor ter uma direção fixada pela comunhão com o Centro divino.

Você pode também pensar em fazer retiros de estudos de dois ou três dias. Tais experiências, quando combinadas com uma imersão interior no silêncio de Deus, são enaltecidas. À semelhança de Jesus, devemos afastar-nos das pessoas de modo que possamos estar verdadeiramente presentes quando estivermos com elas. Faça um retiro uma vez por ano, sem outro propósito em mente que não a solitude.

O fruto da solitude é o aumento de sensibilidade e compaixão por outros. Surge uma nova liberdade para estar com as pessoas. Há uma nova atenção para com suas necessidades, nova responsividade para com suas mágoas. Thomas Merton observou:

“É na profunda solitude que encontro a afabilidade com a qual posso verdadeiramente amar a meus irmãos. Quanto mais solitário estou, tanto mais afeição sinto por eles. É pura afeição e cheia de reverência pela solitude dos outros. Solitude e silêncio ensinam-me a amar a meus irmãos pelo que eles são, e não pelo que dizem.”

Não sente você um toque, um anseio de aprofundar-se no silêncio e solitude de Deus? Não deseja uma exposição mais profunda, mais completa à Presença de Deus? A disciplina da solitude é que abrirá a porta. Você está convidado a vir e “ouvir a voz de Deus em seu silêncio todo-abrangente, maravilhoso, terrível, suave e amoroso”.

Extraído do capítulo 7 do livro “Celebração da Disciplina” de Richard J. Foster.
Para pedidos ligue: (19) 3462-9893

2 respostas para “A Disciplina da Solitude”

  1. Lidiane disse:

    Rumo a essa caminhada!
    Obrigado!

  2. Marcus Henrick disse:

    Deus seja louvado, por encontrar essas escritas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *