A Autoridade Que Vem do Alto

Data de publicação: 12/09/2011
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Edição 37 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 37

Por Ezequiel Netto

O exercício de autoridade é algo que, desde o princípio, fascinou o ser humano. A sensação de poder, de domínio, de superioridade sobre os demais, traz ao homem a satisfação que nenhuma outra atividade pode trazer. O educador Paulo Freire aborda muito bem essa questão em seu livro “Pedagogia do Oprimido”, quando fala com muita riqueza de informações que a opressão é algo inerente ao ser humano, e a mudança de oprimido para opressor é simplesmente uma questão de oportunidade. Essa problemática do opressor/oprimido também acontece com bastante freqüência em nossas igrejas.

“Legalidade” é uma palavra que vem sendo muito falada no meio evangélico nos dias de hoje. Existem muitas pregações sobre como obtê-la, ou como não perder a legalidade alcançada. Fala-se basicamente de duas maneiras diferentes: de quando pecamos e damos legalidade ao inimigo para atuar sobre nossas vidas, e também do fato de que precisamos de legalidade para atuar no mundo espiritual.

Basicamente, essa legalidade seria concedida por alguém, ou um grupo ministerial, que atuasse em um nível hierárquico de autoridade superior ao de quem desejasse obter a tão sonhada permissão ou reconhecimento. Somente com ela você poderia expulsar demônios, libertar pessoas e conduzir uma igreja. Sem ela, você estaria atuando no mundo espiritual de forma não autorizada ou clandestina.

Em Gálatas 1.1,10, Paulo afirma que não foi enviado, nem era servo de homem algum, mas de Cristo, e que se procurasse  agradar a homens, não seria servo de Cristo. Quem envia é superior a quem é enviado, e quem recebeu a legalidade de alguém, precisa andar de acordo com quem lhe é superior. Devemos ter muito cuidado, e sermos vitoriosos nessa questão. Quando vencemos essa prova, podemos também dizer como Paulo: “Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais” (1 Co 9.19). O fato de não procurarmos agradar aos homens, jamais pode nos fazer arrogantes e soberbos, mas nos fazer livres para servir a todos, não apenas os de nossa tribo particular, mas servindo em prol do reino de Deus.

A Autoridade Que Vem da Comunhão com Deus:

Em Mateus 7.21-23, lemos o seguinte: Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Existe algo muito maior que a legalidade para expulsar demônios ou profetizar, e que pode até determinar a nossa permanência ou não no reino dos céus. Vemos que o ser conhecido por Jesus, a intimidade com ele, é mais importante do que somente uma autorização, ou um direito, para atuar no mundo espiritual.

Ministrar “em nome de Jesus” é algo que vai além de ter um título ou receber a imposição de mãos de alguém superior. É agir não apenas sob a autoridade de Jesus, mas também da mesma forma que ele agia.E esse relacionamento de comunhão com o Senhor faz com que sejamos impregnados do próprio Jesus, de sua imagem e características.

2 Coríntios 3.18  diz que, olhando para Jesus, refletimos a sua imagem como num espelho e, também, somos transformados nessa mesma imagem. Ou seja, quanto maior for o nível de comunhão que tivermos com Jesus, quanto mais nos deixarmos transformar, mais impregnados estaremos da sua imagem e mais autoridade teremos para atuar em nome de Jesus no mundo espiritual. A Verdade e o Caminho são uma pessoa – Jesus.

A verdadeira base ministerial não consiste em obtermos algumas informações nos seminários e partir para o trabalho com o diploma na mão. Para guiarmos alguém pelo Caminho à Verdade, precisamos andar com Jesus, ter comunhão íntima com ele. Somos todos chamados para esta escola, mas são poucos os que aceitam este chamado. Preferimos a informação em detrimento da comunhão, do relacionamento. Conhecemos muito mais o livro do Senhor (a Bíblia) do que o Senhor do livro.

Quem anda com Deus e fica impregnado de sua presença começa a compreender o que significa amar ao mundo “de tal maneira” (Jo 3.16). Esse “de tal maneira” foi uma tentativa de tornar conhecido um nível de amor nunca antes experimentado entre os homens.

Quando captamos a essência desse amor extravagante, e dele somos cheios, passamos também a expressá-lo ao mundo. Esta é a essência de todo ministério: expressar o amor de Deus e o seu caráter. Dessa forma, a terra se encherá do conhecimento e da glória do Senhor, quando pessoas em todas as nações estiverem ministrando simplesmente pelo fato de andarem com Deus, e deixarem suas vidas serem marcadas por essa natureza. Toda a natureza geme e anseia por uma expressão extravagante do amor de Deus, e isso ocorrerá através da igreja.

A Autoridade Que Vem da Comunhão com os Irmãos:

Estamos caminhando para um momento em que  todas as parábolas referentes ao final dos tempos estarão se cumprindo. E o reino de Deus é semelhante a uma rede lançada ao mar, que pega todo tipo de peixes (Mt 13.47-48). Estamos em um período em que Deus prepara sua igreja para a pescaria dos últimos dias e, para isso, está compondo uma imensa rede, baseada em relacionamentos firmes (Ef 4.15-16).

Algumas pessoas já estão percebendo, mas, à medida que o tempo avança, haverá um interesse muito grande por “juntas e ligamentos” no Corpo de Cristo. Muitos perderão o interesse em estar aferrado em suas posições particulares (até mesmo por causa da pressão de Deus, por meio de necessidades e frustrações pessoais). Pessoas com estilos totalmente diferentes estarão se unindo, porque estarão em sintonia com “aquele que opera tudo em todos, que é o cabeça” (Cl 1.17).

As igrejas que estiverem atentas à voz do Espírito Santo estarão formando essa imensa rede, e exercendo seu papel com muito mais unção e autoridade nessa colheita dos últimos dias. Como ensina o curso “Casados para Sempre”: sozinhos, vamos mais rápido; juntos, vamos mais longe.

Não se assuste se, ao longo de sua história, você foi uma pessoa difícil de se relacionar, apesar de estar ligada em Cristo. Foram muitas decepções que o levaram a caminhar sozinho por muito tempo, mas que também o fizeram compreender muitas questões na problemática dos relacionamentos. Tudo isso fazia parte de um treinamento para sua vida, para produzir o dom de reparador de brechas, para capacitá-lo a desenvolver alguns poucos relacionamentos bem mais sólidos que os demais e para, desta forma, consertar essa rede nos pontos em que ela estiver se rompendo.

Eu mesmo já passei por algumas experiências desse tipo. Em toda a minha vida espiritual, eu vinha admirando muitos homens de Deus (os quais admiro até hoje), que me desprezaram gratuitamente (algumas vezes também por eu ser chato). Eles consideravam somente o exterior, sem perceber um potencial que Deus depositara em vasos de barro. Fazer amizade comigo nunca deu status a ninguém e, por isso, sofri muito, sem me sentir aceito e amado pelos que eu admirava.

Demorei muito a aprender a administrar bem estas experiências, até não dar mais lugar à amargura, mágoa e justiça própria. Hoje tenho sentido que isso veio se transformando em um potencial de autoridade para reparar brechas. Em alguns pontos em que essa rede estava se rompendo, pude ser usado por Deus para dar um nó (que muitos não sabem dar, por ser um nó de difícil confecção, pois leva anos para aprender a fazê-lo), e aquele ponto de junção ficou mais forte do que estava originalmente.

A Natureza das Provações

Deus vem resistindo em liberar autoridade para a igreja devido à dureza de nossos corações. Existe muita mistura em nosso meio. Temos uma forte tendência para a soberba, orgulho próprio, competição. Tudo isso precisa ser retirado de nosso meio. Deus quer uma família de muitos filhos, mas semelhantes a Jesus (Rm 8.29). Para esta nossa natureza, o poder do sangue purificador não resolve. Precisamos passar pela cruz, morte do velho homem, o batismo com fogo.

Deus não tenta a ninguém, mas nos testa, faz-nos passar por provas (medite sobre Tg 1.2-15 e 1 Pe 4.12-19). Devemos nos alegrar quando passamos por essas provações, pois estamos mudando de fase, para uma etapa mais madura. É muito comum associarmos estes momentos de provações a ataques do diabo, mas ele não tem nenhum interesse em nos amadurecer. Ele só quer nos destruir. É o Pai que está disciplinando os seus filhos amados. Temos sido preparados para receber um nível de autoridade que ainda não foi liberado para a igreja.

Muitos pensam em chegar no céu e conversar com Paulo e Pedro. Mas os primeiros apóstolos têm muito mais expectativa em conhecer os servos de Deus dos últimos dias do que nós a eles. Há uma glória que será manifesta que não podemos nem sequer imaginar como será este fenômeno. E você faz parte deste processo.

Uma resposta para “A Autoridade Que Vem do Alto”

  1. Vanessa disse:

    Meu Deus como foi maravilhoso entrar neste site e ver o quão importante é estarmos na presença do senhor. Deus o abençoe grandemente.

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