A Arma da Vitória

Data de publicação: 17/11/2011
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Edição 21 e Revista Impacto - 1998 a 2014.
Este artigo pertence a: Edição 21

Por: Rick Joyner

Há uma batalha sendo travada em torno da alma de cada indivíduo na terra. Há uma batalha enfurecida em torno de cada igreja, cada cidade, e cada nação. Vitórias estão sendo registradas em muitos lugares através da terra, mas as maiores ainda estão por vir. Multidões de novos guerreiros espirituais estão sendo mobilizadas e treinadas, e logo serão enviadas. Poderosas armas divinas lhes serão confiadas, e serão utilizadas. As fortalezas do inimigo sobre as mentes dos homens serão destruídas. Um exército está para ser liberado qual o mundo nunca antes viu. Joel recebeu um vislumbre deste exército (leia Joel 2.1-11).

Há um fogo neste exército que queimará toda madeira, feno e palha, mas que purificará o ouro, a prata, e as pedras preciosas. Consumirá o que o homem edificou, e revelará o que de fato foi levantado por Deus. O que está para vir será terrível ou glorioso, dependendo do alicerce que usamos para edificar nossas vidas. A terra tremerá literalmente diante da presença do Senhor no meio deste exército que já está se mobilizando. A palavra de Deus que estará nas suas bocas despedaçará os ídolos deste mundo como um martelo esmiuça rochas. O Espírito que está neles será uma força irresistível.

Escolha Sua Arma

Pode parecer um paradoxo, mas não podemos nos tornar parte deste grande exército enquanto não estivermos firmemente fundamentados na paz de Deus. Uma das mais poderosas armas espirituais que Deus já deu ao seu povo é a paz. Podemos pensar que a paz não seja uma arma. Mas é de fato uma arma tão importante que na sua carta aos romanos, Paulo não disse que seria o Senhor dos exércitos ou o Senhor da guerra que haveria de esmagar o inimigo; ele disse: “…o Deus da paz em breve esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás” (Rm 16.20). Quando permanecemos na paz de Deus, esta se torna para nós ao mesmo tempo uma fortaleza e uma arma contra a qual o inimigo não tem nenhum poder.

Se permanecermos na paz de Deus dentro de uma situação, o poder do inimigo ali é totalmente desmontado. É por isso que a maioria dos ataques do inimigo sobre os crentes visa em primeiro lugar roubar-lhes a paz. A paz de Deus é o fruto do Espírito que funciona como um pino que precisa estar no lugar, a fim de manter todos os demais nos seus respectivos lugares. Quando perdemos a paz de Deus, imediatamente perdemos nossa paciência, nosso amor, nosso domínio próprio etc. Isto nos faz cair da posição de permanecer em Cristo. O fruto do Espírito sempre demonstrará se estamos permanecendo nele ou não.

Os pacificadores é que foram chamados filhos de Deus (ver Mateus 5.9), e por representarmos o Príncipe da Paz, o mundo deveria poder encontrar na igreja a solução para seus conflitos. Nossa vitória sobre o mal é alcançada através de vencê-la com o bem. Destruímos o poder de destruição do inimigo quando tomamos posição na paz, e a comunicamos aos outros.

Porém, ao invés do mundo poder encontrar soluções para seus conflitos na igreja, a igreja é mais conhecida hoje como fonte de conflitos. Isto há de mudar. A igreja foi chamada para julgar o mundo, e enquanto conflitos e ansiedades aumentam no mundo, paz e sabedoria hão de crescer na igreja a tal ponto que os ímpios começarão a ir aos cristãos em busca de ajuda. Desta forma, a autoridade espiritual da igreja crescerá ao mesmo tempo que anarquia e licenciosidade continuarem a corroer a autoridade humana.

A igreja é a “Jerusalém lá de cima”, que Paulo mencionou em Gálatas 4.26. Jerusalém significa “cidade da paz”. Como a Jerusalém daqui da terra, a igreja atualmente está embaraçada em lutas e guerras contínuas dentro de si mesma, ao mesmo tempo que enfrenta forças do mundo exterior. Mesmo assim, em breve há de vencer os conflitos internos, e então poderá direcionar todas suas poderosas armas contra as forças exteriores. A igreja se levantará para cumprir toda sua missão e será tudo que foi chamada para ser. Acontecerá como foi predito em Isaías 60.1,2; enquanto as trevas forem aumentando, e densas trevas caírem sobre todos os povos, a glória do Senhor levantará e aparecerá sobre seu povo. Quando conflito e lutas humanas alcançarem níveis sem precedentes, a igreja experimentará paz também sem precedentes. Esta paz será uma fortaleza impenetrável ao inimigo. Então a igreja será o verdadeiro santuário na terra.

Atualmente, assim como não existe nenhuma solução humana para o conflito no Oriente Médio, também não existe nenhuma solução para os conflitos dentro da igreja. A solução está somente em Deus. A paz de Deus tem seu fundamento no conhecimento de que Deus é Deus, e que Jesus é o Rei acima de todo rei, governante e autoridade. Quando vemos que ele está em controle, chegamos ao profundo reconhecimento dentro do nosso coração de que o texto de Romanos 8.28 é verdadeiro: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Quando sabemos lá no profundo do coração que isto é verdade, não existe poder sobre a terra que possa nos roubar a paz.

Quando permanecemos na paz de Deus, apesar das circunstâncias, as tentativas de Satanás de usar estas circunstâncias são anuladas, e conseguimos enxergar o propósito de Deus na situação. O Senhor não está lá no céu, esfregando suas mãos por causa de um problema sequer aqui na terra. Ele conhece desde o início até o final, e já sabe o que vai fazer para acertar tudo que está fora da sua vontade. Se estivermos permanecendo nele, assentados com ele nos lugares celestiais, assim como fomos chamados para estar, nós também permaneceremos em perfeita paz. Conforme a promessa em Isaías 26.3: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Edição revista e corrigida).

Foi por isto também que Paulo orou em Efésios 1.18-23 para que “os olhos do nosso coração” fossem abertos. Os “olhos do nosso coração” são nossos olhos espirituais. Quando estiverem abertos, veremos Jesus no lugar onde está assentado, “muito acima” de toda autoridade, poder e domínio sobre a terra. À medida que o virmos ali, e andarmos nesta verdade, ao vivermos na paz insondável que vem como conseqüência, a influência de Satanás é destruída na nossa vida. Este foi o entendimento do Rei Davi quando escreveu no Salmo 46.10,11: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.”

Quando realmente sabemos que ele é Deus, cessaremos de toda peleja. Quando o povo de Deus chegar a este entendimento e andar nisto, Deus será “exaltado entre as nações”, porque a paz de Deus estará em contraste total com os temores que virão sobre o mundo. Estes temores farão com que o coração do povo entre em desespero, mas a paz de Deus será uma das maiores testemunhas do Senhor no meio do seu povo.

O Orgulho Vem Antes da Queda

O orgulho causou a queda de Satanás, e tem sido a causa de quase todas as quedas desde então. Sabemos que: “… Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6), e lemos em 1 Pedro 5.6,7: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”.

Isto nos mostra que uma das maneiras de nos humilharmos é lançar nossa ansiedade no Senhor. A ansiedade é uma forma de orgulho que na verdade afirma que pensamos que a questão é muito grande para Deus, e por isto teremos que resolvê-la nós mesmos. Se realmente cremos que ele é Deus, deixaremos de pelejar, e lançaremos fora de nós a nossa ansiedade, a fim de vivermos na paz que vem por saber que ele está em controle.

Não é por acaso que “ataques de pânico” estão alcançando proporções epidêmicas no mundo hoje. O nível de ansiedade está aumentando dramaticamente, mas a paz também aumentará de forma correspondente naqueles que são verdadeiros seguidores de Cristo. A ansiedade que vem sobre o mundo é resultado direto do homem tentar viver sem Deus e fazer tudo por conta própria. É por isto que a primeira tentação do homem foi levá-lo a querer ser o que Deus de fato o chamou para ser, porém sem a ajuda de Deus. Quanto mais a humanidade se afastar de Deus, mais conflitos e confusão encontrará, o que resultará em ainda mais temor, de acordo com o Salmo 2. Isto aumenta a impaciência, o egoísmo, e as outras “obras da carne” que causam conflitos. Como cristãos, não devemos viver como o mundo vive. Devemos crescer no conhecimento da autoridade do Senhor e do seu controle. Devemos crescer na paz de Deus.

Andando na Verdade

Se quisermos esmagar Satanás sob nossos pés, precisamos entender que esta metáfora “sob nossos pés” é usada com um propósito. Significa que o poder de Satanás será quebrado através do nosso “andar”, através de avançarmos espiritualmente. Cristianismo não é estático nem parado, mas é sempre algo que avança e cresce. É por isto que o “Rio da Vida” é um rio, e não um lago ou uma poça. Um rio está sempre fluindo, caminhando para seu destino.

Quando andamos na paz de Deus nos nossos lares, a influência de Satanás é esmagada ali. Se andamos na paz de Deus no trabalho, logo a influência do inimigo é anulada lá também. Se os cristãos de cada cidade andassem na paz de Deus, a igreja breve entraria em unidade, e a influência do inimigo sobre aquela cidade seria destruída. Quando cristãos em qualquer nação começarem a realmente andar na paz de Deus, esmagarão a influência do inimigo sobre aquela nação.

Contra quem você está lutando agora? Qual é a fonte do maior conflito na sua vida? Você já lançou esta ansiedade sobre o Senhor? Quando você fizer este exercício de fé, Deus é liberado para agir na sua situação. É por isto que lemos em Hebreus 12.14,15: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando diligentemente por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados”.

Não há nenhuma razão para um cristão ficar amargurado com alguém ou alguma coisa. Se somos amargurados, estamos nos contaminando, e a outros também. Como alguém disse certa vez: “Amargura é como beber veneno e esperar que outra pessoa adoeça”. Fomos chamados para algo muito mais alto do que isto. Fomos chamados àquela nobreza máxima da alma que se manifesta pelo perdão, e à dignidade máxima que resulta de andar na paz de Deus.

Defina as fontes de conflito e agitação na sua vida, e arrependa-se da sua falta de fé e confiança no Senhor em relação a estas coisas. Lance esta ansiedade no Senhor, e determine que, indiferente às aparências ou situações, você confiará no Senhor para cuidar de tudo. Ele realmente cuidará, mas geralmente só depois de ter tratado de algo ainda mais importante, que é o seu coração.

A falta de paz nas nossas vidas se relaciona diretamente à falta de fé que temos no Senhor. O chamamento fundamental para nossas vidas é simplesmente confiar em Deus. É por isto que Jesus disse: “A obra de Deus é esta, que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.29). Simplesmente confiar nele em nossas vidas diárias realizará muito mais do que a grande maioria de obras e projetos que tentamos fazer por ele. A igreja e o reino que Jesus está edificando em nossos corações se manifestarão na nossa vida diária. Deus não avalia a qualidade de uma igreja pela unção no culto de domingo, mas pelo testemunho de vida dos seus membros na segunda-feira.

A paz de Deus é o poder que nos levará à vitória sobre nós mesmos, e sobre as fortalezas do inimigo. Todos fomos chamados para ser missionários da paz de Deus. Esta paz não é resultado de condições pacíficas, mas se constitui de uma profunda confiança em Deus, mesmo no meio de circunstâncias de grande provação. Quanto mais estressantes ou violentas as situações forem, mais a paz de Deus será uma demonstração da verdadeira fé de Deus. Esta fé é o que move o Senhor a agir em nosso favor no meio da situação. A paz se torna desta forma um preciso barômetro do verdadeiro nível da nossa fé.

O Caminho Para o Reino

Como edificamos nossas vidas sobre este reino que não pode ser abalado? Romanos 14.17 declara: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. Aqueles que não conhecem a Deus estão numa busca interminável por alegria e felicidade, mas estas nunca serão encontradas fora de Cristo. Nunca conheceremos verdadeira paz sem edificar nossas vidas sobre o fundamento de justiça, que nada mais é que um relacionamento certo com Deus. Quando vivemos vidas de obediência ao Senhor e aos seus caminhos, conseqüentemente teremos paz. Junto com esta paz, que vem por saber que estamos acertados com Deus, vem também a verdadeira alegria, maior do que qualquer coisa que possamos experimentar no mundo. Isto é porque o homem foi criado para ter comunhão com Deus, e nada menos que intimidade com ele poderá satisfazer os mais profundos anseios da nossa alma.

Em 1 Tessalonicenses 5.23, Paulo orou assim: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo…” É o Deus da paz que vai nos santificar. Enquanto permanecermos na paz de Deus, permaneceremos no Senhor. Santificação não é um estado em que não pecamos; é permanecer no Senhor. Quando permanecemos nele, não só renunciamos o pecado, mas amamos, e temos fé que libera as verdadeiras obras de Deus em nós.

Paz e Profecia

Lemos em Filipenses 4.7: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus”. É interessante que a palavra grega traduzida por “guardará” neste texto é phroureo, uma palavra composta que significa ser um vigia à frente das linhas de batalha, ou seja uma sentinela, ou espião; em figura, cercar, proteger, ou guardar como numa fortaleza. A paz de Deus não só guarda nossos corações e mentes em Cristo, mas também nos ajuda a ver com antecedência, e a saber o que fazer para nos proteger contra os ataques do inimigo.

Esta é uma das lições que devemos aprender do susto em torno da questão Y2K, na virada do milênio. Houve muitas profecias sobre o iminente terror que viria naquela ocasião, mas todas ligadas a uma conotação de ansiedade e medo. Se a paz de Deus vai guardar nossos corações e mentes em Cristo Jesus, devemos aprender a não receber aquilo que não traz esta paz. Algumas pessoas estão em tanto temor que mesmo ao ouvirem uma palavra pura do Senhor, semeada em paz, ainda ficam com medo. Antes de podermos discernir se a palavra é de Deus ou não, nosso próprio coração precisa estar em paz. Ter a paz de Deus governando nossos corações, nossas famílias, e igrejas, é uma alta prioridade se quisermos estar livres de engano e de ataques inimigos.

As Escrituras falam claramente que tempos difíceis virão sobre o mundo, mas que ao mesmo tempo, a glória do Senhor virá sobre seu povo. Ouvir as profecias sobre dificuldades não deve perturbar-nos, mas apenas nos despertar e ajudar a nos preparar. Isto só acontecerá se permanecermos na paz de Deus. O Senhor não está assentado no céu, aflito e ansioso sobre coisa alguma, e nem nós deveríamos estar, se permanecermos nele. Se estamos permanecendo nele, o mundo inteiro pode entrar em colapso ao nosso redor, e estaremos em perfeita paz porque edificamos nossas vidas sobre um reino que não pode ser abalado.

Rick Joyner é fundador e diretor de “Morningstar Publications and Ministries” sediado em Charlotte, Carolina do Norte, EUA. É autor de diversos livros já publicados em português como “A Batalha Final”, “A Colheita”, “A Chamada”. Este artigo foi publicado no boletim profético de setembro de 2001, antes dos atentados do dia 11 daquele mês.
www.morningstarministries.org

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