Avivamento é Tempo de Reconciliação

07/02/2012 Publicado por: Impacto

Arauto - Ano 23 - nº 02 - Mar/Abr 2005

Por: Roger Ellsworth

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.

Seja a paz de Cristo o árbitro em vossos corações, à qual, também, fostes chamados em um só corpo: e sede agradecidos. Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão, em vossos corações” (Cl 3.12-17).

Jamais houve um avivamento sem que os cristãos, individualmente, se reconciliassem com aqueles com quem tinham algum problema. Deus não vai passar por cima de ressentimentos e amarguras e conceder sua grande bênção do avivamento. Se queremos verdadeiramente o avivamento, teremos de tratar dessas coisas.

Parece haver muito desse tipo de problema hoje em dia. Quase todas as igrejas passam uma vez ou outra por tensões e conflitos não resolvidos. Às vezes são tensões entre os membros da liderança da igreja, outras vezes ocorrem entre pastores e membros e, ainda outras, acontecem entre membros e membros. Na maioria dos casos, a causa de tais problemas é algo muito insignificante.

Como precisamos atentar para as palavras do apóstolo Paulo registradas no texto acima! Temos aqui uma chamada retumbante para que os colossenses vivam em paz uns com os outros.

Os Deveres Prescritos

Ao examinarmos os versículos acima, vemos Paulo conclamando seus leitores a que “vistam” certas coisas:

• ternos afetos de misericórdia – um coração compassivo, isto é, um coração que é tocado e movido pela miséria de outrem

• bondade – uma disposição abrandada que já se livrou de todo resquício de aspereza

• humildade – um coração livre do amor próprio e do desejo de afirmar e promover o ego

• mansidão – um espírito que não se ofende com facilidade

• longanimidade – um espírito que pacientemente suporta provocações sem “explodir”

• suportar uns aos outros – a graça que capacita alguém a agüentar tudo o que é desagradável e indesejável nos outros

• amor – o dom supremo (1 Co13) que une os crentes. William Hendriksen escreve: “O amor, então, é o vínculo da perfeição no sentido de ser o elemento que une os crentes, fazendo-os caminharem em direção ao alvo da perfeição”.

Excluí da lista acima uma das expressões de Paulo a fim de dar-lhe uma consideração especial. Ela vai direto ao âmago da questão que está diante de nós. Além do que enumeramos acima, o apóstolo urge aos colossenses que perdoem um ao outro “caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem” (v.13). Em outras palavras, ele exorta aos cristãos que porventura tenham se afastado um do outro por problemas pessoais a que se reconciliem.

O próprio Senhor Jesus deixou algumas instruções específicas e detalhadas sobre como deveríamos lidar com isso. Se um amigo cristão peca contra nós, devemos falar com ele em particular e dizer-lhe em que sentido nos ofendeu ou prejudicou. A pessoa que é abordada dessa maneira deve se reconciliar conosco. Se ela se recusa a fazer isso, devemos ir para o passo seguinte que é levar mais uma ou duas pessoas conosco para tratar da questão. Se ainda assim ela recusa se reconciliar, o assunto deve ser levado a toda a igreja (Mt 18.15-17).

A lição de Jesus é claríssima: os cristãos devem sempre estar sequiosos de buscar e conceder reconciliação. Deixar de fazer isso é coisa muito séria aos olhos do Senhor.

Em outra ocasião, o Senhor mais uma vez salientou a importância da reconciliação nestas palavras: “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celeste não vos perdoará as vossas ofensas” (Mc 11.25.26).

Aqueles que suplicam o perdão de Deus não podem reter o perdão de outros. Se não perdoarmos, não teremos o direito de pedir perdão. Os deveres que Paulo aponta nesta passagem são, na verdade, muito exigentes, tanto assim que será quase impossível executá-los se não nos atentarmos ao incentivo que ele também oferece.

O Incentivo Oferecido

Paulo sempre cobriu toda responsabilidade cristã pelo amor do Calvário. Ele faz o mesmo aqui. Nós que conhecemos o Senhor devemos perdoar porque ele nos perdoou a nós (v.13). Paulo também realça este ponto na sua carta aos Efésios: “Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou” (Ef 4.32).

A cruz do Calvário retira todo esconderijo daqueles que se recusam a perdoar. Se nós nos recusamos a perdoar alguém por considerarmos que não o merece, precisamos olhar para o amor do Calvário. O Senhor Jesus Cristo não veio e morreu por nós porque éramos ou somos merecedores. Ele veio e morreu por nós quando éramos ímpios e não merecedores (Rm 5.6-8).

Se nos recusamos a perdoar por causa do tamanho da ofensa praticada contra nós, precisamos novamente olhar para o amor do Calvário. Nenhuma ofensa pode ser maior do que aquela que os pecadores perpetraram contra Deus. E, no entanto, Deus tomou a nossa humanidade e, através dela, foi para a cruz. Lá ele clamou, “Pai, perdoa-lhes…” (Lc 23.34).

Se nos recusamos a perdoar porque a pessoa que nos ofendeu parece vil e detestável aos nossos olhos, também devemos olhar para a cruz. Lá Deus criou uma senda de perdão para as criaturas mais vis e desprezíveis imagináveis, aquelas que tinham desprezado a sua lei e que pregaram na cruz o próprio Filho de Deus.

Se nos recusamos a perdoar porque estamos esperando que a outra pessoa dê o primeiro passo, a solução, outra vez, é olhar para o amor do Calvário. Redenção é Deus dando o primeiro passo e, em seguida, todos os demais também. Sem essa iniciativa, nunca teria havido redenção, pois pecadores culpados nunca teriam nem a inclinação nem a capacidade de tomar o primeiro passo em direção a Deus.

Se nos recusamos a perdoar porque poderia ferir nosso orgulho ter de admitir que erramos, novamente nossa saída é olhar para o Calvário. Lá o Senhor, que não tinha orgulho e nunca fez nada errado, voluntariamente curvou-se em humildade e tomou sobre si as nossas culpas. A cruz de Cristo é sempre um antídoto para uma disposição antipática e um espírito que não perdoa. Quando persistimos em tais coisas, somente demonstramos que ainda não estudamos cuidadosa e profundamente as lições da cruz.

As Medidas Preventivas Propostas

É interessante que depois do apóstolo falar das coisas com as quais o cristão deve se “revestir” (vv. 12,14), ele passa a falar de dois fatores cuja operação deve ser permitida em sua vida. Primeiro ele diz: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vossos corações” (v.15). E, em seguida, acrescenta: “Habite ricamente em vós a palavra de Cristo…” (v.16).

Não posso deixar de ver essas ordens como medidas preventivas para os mesmos problemas que o apóstolo acabara de citar. Como é que se pode evitar uma disposição antipática e crítica? Como é que se mantém um relacionamento saudável com os irmãos e irmãs? Como é que se evita situações de tensões e conflitos?

Sugiro que a resposta esteja nestas duas ordens de Paulo: “Seja” e “Habite”. Devemos permitir que a paz de Cristo e a palavra de Cristo governem os nossos corações. A paz é um direito adquirido que pertence a todo cristão. A paz com Deus e a liberdade interior da culpa e da condenação do pecado foram compradas para ele através da morte redentora de Cristo na cruz.

O viver em paz com os outros acontece quando reconhecemos quem nós somos em Cristo Jesus. Quanto mais refletimos no que ele fez por nós, mais veremos sua paz dominando e controlando as nossas vidas. E quanto mais a paz nos controla, menos tensão teremos em nossos relacionamentos com os outros.

Em segundo lugar, devemos permitir que a palavra de Cristo habite ricamente em nós. Isso significa submeter-nos completamente e com imenso prazer e deleite a tudo o que a Bíblia ensina. Não é difícil perceber como isso nos livra de conflitos com os outros. Se cada crente abrir sua vida à ação poderosa da Palavra de Deus, haverá grande unidade e pouquíssimo espaço para conflito e dissensão.

Também não é difícil discernir quem permite que a Palavra de Deus habite ricamente em sua vida. Isso sempre se evidencia! Aqueles que estão cheios da Palavra de Deus são pessoas de louvor e adoração. Não conseguem ser outra coisa. Como sabemos, duas coisas não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Uma vai deslocar a outra. O coração cheio do deleite e do louvor produzidos pela Bíblia não terá espaço sobrando para ressentimento ou amargura.

Guardemos essas coisas em mente enquanto orarmos por avivamento. Se temos um relacionamento fraturado, procuremos perdoar e nos reconciliar, lembrando-nos do perdão que nós próprios recebemos de Cristo. E vamos permitir que a paz e a Palavra de Cristo habitem em nós de tal maneira que não tenhamos que passar pela profunda dor de alienação e o difícil trabalho de reconciliação.

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