A Última Meia Hora

Publicado em: 29/01/2012 Categorias: Arauto / Você Compreende a Época Em Que Está Vivendo?

Arauto - Ano 29 - nº 01 - Jan/Abr 2011

“Aquele, porém, que perseverar até ao fim…” (Mt 24.13)

Um pregador, certa vez, afirmou que a maneira de se obter mais poder na vida espiritual é ter maior pressão. O segredo da energia numa máquina a vapor é a pressão do vapor. “Eu quero mais força”, diz o motor – e logo vem a resposta: “Coloque mais pressão”.

Deus pretende que a pressão na vida de uma pessoa seja utilizada como sua fonte secreta de poder, pois ele faz de cada provação, sofrimento ou amargura uma nova oportunidade de dividir sua própria vida e poder com aquele que confia nele. O segredo da força do apóstolo Paulo era o proveito que ele tirava de toda e qualquer espécie de pressão – humana ou satânica. Ele tinha prazer na pressão porque era nessas circunstâncias que recebia maior provisão do poder de Deus. “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Co 12.10).

A fonte não está na pressão em si, mas é o uso que se faz dela que nos introduz no lugar de poder. Ao passarmos “pelo fogo e pela água”, somos conduzidos a um “lugar espaçoso” (Sl 66.12), ao lugar que está “muito acima de todo principado…” (Ef 1.21), onde o próprio Cristo de tal modo nos liberta que, mesmo estando no meio de grandes pressões, não sentimos mais tensão, mas somente a graça de sua presença.

Vemos um exemplo disso nas palavras de Paulo aos coríntios, quando ele relatou a história das tribulações que lhe sobrevieram na Ásia. Dá para sentir como ele se sentiu desamparado. “… pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos”, disse ele (2 Co 1.8).

Agora, onde ficou manifesta a vitória da cruz? Somente no reino invisível. A pressão foi utilizada para pressionar o apóstolo a um lugar de mais poder. Durante a experiência de perseguição em Éfeso, aparentemente não houve vitória alguma. O apóstolo que foi o foco de todo aquele tumulto escapou por pouco da morte e simplesmente partiu em silêncio para a Macedônia.

Foi assim também no Calvário. Uma multidão de escarnecedores. A crucificação. Silêncio. Triunfo aparente do populacho e dos poderes das trevas. Porém, milhões de almas resgatadas daquela mesma morte, arrebatadas das trevas para a luz.

É assim que ocorre com os filhos de Deus na experiência pessoal. “Sobremaneira agravados”; “mais do que podíamos suportar”; “desesperando até da própria vida” – onde está a vitória? Onde está o poder para vencer? Por que o triunfo aparente do inimigo? É no reino invisível que encontramos a resposta. Os seus vitoriosos conhecem a vitória pela derrota. Ao crente é revelado o segredo.

A pressão é a sentença de morte sobre todos os recursos humanos – até da força física, da vivacidade natural de caráter ou de qualquer ajuda que venha do temperamento, da força de vontade ou de qualquer forma ou manifestação de poder próprio. A pressão deve ser grande o suficiente para eliminar qualquer força ou esperança que não venha de Deus. E por que isso? “para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou … e livrará…” (2 Co 1.9-10).

O inimigo se enfurece, e a alma parece estar “sem forças”, sem esperança. “Ah”, exclamamos, “como isso pode a maneira certa de reivindicar ‘a vitória do Calvário’?” E então descobrimos que a derrota exterior é a verdadeira vitória do Calvário forjada no nosso interior, à medida que descemos no desespero de nós mesmos para nos encontrarmos em Deus, onde ele “ressuscitará da morte” e nos libertará.

A maior “dificuldade em obter grandes coisas de Deus reside no problema de perseverar firme na última meia hora”, disse uma vez o falecido Rev. C. G. Moore. A pressão que vem agora sobre os santos de Deus é para verificar se eles se manterão firmes na última meia hora que precede a aurora. O conflito vai se intensificando numa pressão que é muito mais difícil de suportar do que se fossem ataques concentrados e esporádicos do inimigo. “E oprimirá [ou desgastará] os santos do Altíssimo”, foi a advertência feita a Daniel para os santos do final dos tempos (Dn 7.25).

O processo de esgotamento que virá para esmagar o povo do Senhor é mais difícil de reconhecer como sendo do inimigo do que os aterrorizantes rugidos do leão no inferno. A igreja está entrando na “ultima meia hora”. Há uma pressão do adversário que vai requerer todo o poder sustentador de Deus para habilitar seus filhos a se manterem firmes. A despeito do que parece, o Calvário é Vitória, e a “ultima meia hora” vem logo antes da aurora.

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