A infalível orientação do Espírito Santo

Publicado em: 04/09/2018 Categorias: Arauto / Arrependimento e avivamento nos últimos dias

Arauto - Ano 36 - nº 02 - Abr/Jun 2018

por Samuel L. Bengle (1860 – 1936)

A obra do Espírito Santo é guiar o povo de Deus no meio das incertezas, perigos e deveres desta vida até chegar à sua herança final. Quando ele tirou os filhos de Israel do Egito pelas mãos de Moisés, ele os guiou pelo deserto e regiões montanhosas, em uma coluna de nuvem durante o dia e de fogo, à noite, garantindo assim seu conforto e segurança. E isso foi apenas para prefigurar a perpétua orientação espiritual que Deus oferece a seu povo.“Mas como eu posso saber com certeza o que Deus quer de mim?” é, sem dúvida, um dos clamores mais sinceros e muitas vezes agoniados de todo cristão humilde e devotamente zeloso. “Como eu posso conhecer a direção do Espírito Santo?” pergunta-se vez após vez.

Nós sempre precisamos da orientação dele

É bom que tenhamos uma firme convicção em nossa mente da necessidade constante que temos de ser guiados por ele. Um navio naufragou em uma costa rochosa bem distante do curso que o capitão achava que estava tomando.  Constatou-se depois que a bússola estava ligeiramente desajustada em razão de um pedaço de metal que se havia alojado na caixa.

De maneira semelhante, a viagem da vida em que cada um de nós navega é ameaçada por tantos perigos quanto é a viagem no mar.Como conseguiremos nos direcionar para chegar ao porto do destino final sem orientação divina? Há um número quase infinito de influências para nos desviar do caminho certo e seguro.Saímos de manhã, e não sabemos quem vamos encontrar, que parágrafo vamos ler, que palavras podem ser ditas, que cartas podemos receber, que tentação sutil pode nos assediar ou atrair, que decisões imediatas teremos de tomar durante o dia, todas as quais podem nos desviar quase imperceptivelmente, mas ao mesmo tempo com muita eficácia do caminho certo. Nós precisamos da orientação do Espírito Santo. Não só precisamos de orientação divina, como também podemos obtê-la. A palavra de Deus nos assegura disso. Oh, como meu coração foi confortado e tranquilizado certa manhã por estas palavras: “O Senhor te guiará continuamente” (Is 58.11); não ocasionalmente, não esporadicamente, mas “continuamente”. O salmista diz: “… este é Deus, o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até à morte” (Sl 48.14). Jesus disse a respeito do Espírito Santo:“Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade…” (Jo 16.13). E Paulo escreveu: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).

As Escrituras estabelecem o fato de que os filhos de Deus podem sempre ser guiados pelo Espírito de Deus.

Guia-me, ó grande Jeová,
Peregrino por esta terra estéril;
Eu sou fraco, mas tu és forte;
Segura-me com tua poderosa mão.

Como Deus nos guia?

Paulo afirma:“Visto que andamos por fé e não pelo que vemos” (2Co 5.7) e:“… o justo viverá pela fé” (Rm 1.17). Dessa forma, podemos concluir que a orientação do Espírito Santo ocorre de tal forma que exige de nós o exercício de fé. Deus nunca nos conduz de maneira que a necessidade de fé seja eliminada.

Quando Deus avisou a Noé sobre o dilúvio,de acordo com o texto bíblico, foi pela fé que ele recebeu a direção de construir a arca. Quando Deus falou a Abraão para ir para uma terra que lhe mostraria, Abraão o seguiu pela fé (Hb 11.7-8).

Se crermos, certamente seremos guiados, mas se não acreditarmos, seremos deixados por nossa conta. Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6) ou segui-lo para onde ele quer nos guiar.

O salmista diz: “Guia os humildes na justiça…” (Sl 25.9). A partir disso, percebemos que o Espírito nos guia de maneira tal que requero exercício do nosso melhor juízo. Ele ilumina nosso entendimento e direciona nossas ponderações por meio de sensatez e bom senso.

John Wesley disse que Deus geralmente o guiava apresentando em sua mente uma boa razão para um determinado curso de ação.

O salmista diz: “Tu me guias com o teu conselho …” (Sl 73.24) e:“Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho...” (Sl 32.8). Agora, conselho, instrução e ensino não apenas implicam em esforço por parte do professor, mas também em estudo e concentração por parte do aluno.

Assim, essa orientação do Espírito Santo exigirá que ouçamos atentamente, estudemos diligentemente e aprendamos pacientemente as lições que ele nos ensinará.Vemos que o Espírito Santo não anula nossos poderes e faculdades, mas procura despertá-los e incitá-los à plena atividade, desenvolvendo-os em completa perfeição e tornando-os canais por meio dos quais ele pode inteligentemente nos influenciar e direcionar.

O que ele busca fazer é iluminar nosso ser espiritual por completo como o sol ilumina nosso ser físico, e levar-nos a tal sincronia e simpatia, tal unidade de pensamento, desejo, afeição e propósito com Deus, que tenhamos capacidade, por uma espécie de instinto espiritual, de conhecer em todo tempo a mente de Deus a nosso respeito, e nunca ficar em dúvida sobre a sua vontade.

O Espírito Santo nos guia

  1. Abrindo nossa mente para as profundas verdades da Bíblia, com seu poder para nos santificar e, especialmente, revelando-nos o caráter e o espírito de Jesus e de seus apóstolos; levando-nos também a seguir os passos deles –os passos de sua fé, seu amor e sua devoção abnegada a Deus e ao homem, até o ponto mesmo de entregar a própria vida.
  2. Pelas circunstâncias e o ambiente que nos rodeiam no dia a dia.
  3. Pelo conselho de outros, especialmente homens e mulheres de Deus dedicados, sábios e experientes.
  4. Pela profunda convicção interior, que aumenta à medida que esperamos nele em oração e disposição para obedecer. É por esta soberana convicção que pessoas são chamadas a pregar, a ir para terras estrangeiras como missionários, a dedicar tempo, talentos, dinheiro e vida à obra de Deus em favor dos corpos e das almas dos outros.

Por que alguns não conseguem encontrar orientação

Por que as pessoas buscam por direção e não a encontram?

  1. Porque não estudam diligentemente a Palavra de Deus nem procuram se encher com suas verdades e princípios. Negligenciam o cultivo de sua mente e coração na escola de Cristo, e, portanto, perdem a orientação divina.

Um dos mais poderosos homens de Deus da atualidade costumava carregar sua Bíblia para a mina de carvão quando era ainda menino e passava seu tempo livre enchendo a mente e o coração com as verdades celestiais.Foi assim que se preparou para ser divinamente guiado nas grandes obras que faria posteriormente para o Senhor.

  1. Porque não aceitam humildemente as providências diárias, as circunstâncias e as condições de sua vida cotidiana como parte do plano de Deus naquele momento como escola de treinamento para coisas maiores e como a vinha na qual o Senhor deseja que trabalhem diligentemente.

Uma jovem mulher imaginava ter sido chamada para dedicar a vida a evangelizar as pessoas, mas durante o treinamento ela foi confrontada como nunca antes por seu próprio egoísmo e ficou profundamente abalada. Decidiu que teria de voltar para casa a fim de viver uma vida santa lá e empenhar-se para que sua família se convertesse – algo que havia negligenciado completamente – antes que pudesse entrar no serviço de tempo integral. Se não formos fiéis em casa, no mercado, na fábrica ou na empresa onde trabalhamos, perderemos o caminho que Deus preparou para nós.

  1. Porque não são tratáveis e não desejam receber instrução de outros cristãos. Não têm uma atitude humilde.
  2. Porque não esperam em Deus, procurando ouvir e atender às orientações interiores do Espírito Santo. São obstinados; querem seguir o próprio caminho. Alguém disse: “Geralmente pedimos a Deus, não a vontade oua direção dele, mas que ele aprove o nosso caminho”. E outro disse: “A orientação de Deus é clara quando somos autênticos”.

Se obedecermos pronta e alegremente, não nos desviaremos do caminho. Paulo disse sobre si mesmo:“… não fui desobediente à visão celestial” (At 26.19). Ele obedecia a Deus a todo custo, e assim o Espírito Santo pôde guiá-lo.

  1. Por causa do medo e da incredulidade. Foram o medo e a incredulidade que fizeram com que os israelitas virassem as costas e não entrassem em Canaã quando Calebe e Josué garantiram que Deus os ajudaria a possuir a terra. Eles perderam a visão de Deus e temeram os gigantes e as cidades muradas e, assim, perderam o caminho de Deus perecendo no deserto.
  2. Porque não levam tudo pronta e confiantemente a Deus em oração.

Paulo nos aconselha a ser “perseverantes em oração” (Rm 12.12). Estou convencido de que é a lentidão e a demora para orar, a sonolência e a preguiça que roubam os filhos de Deus da tranquila segurança de serem guiados por ele em todas as coisas.

  1. Por causa de impaciência e pressa. Alguns dos planos de Deus para nós se desenrolam lentamente; por isso, precisamos esperar calma e pacientemente nele em fé e fidelidade, seguros de que no devido tempo ele deixará o caminho claro para nós,contanto que a nossa fé não esmoreça. Nunca é da vontade de Deus que fiquemos precipitados e ansiosos, mas que com paciência e firmeza aprendamos a ficar parados quando a coluna de nuvem e de fogo não se move, e que com confiança, amor e espontânea prontidão desmontemos a nossa tenda e marchemos na hora que ele mostrar.

Finalmente, devemos descansar seguros de que o Espírito Santo nunca leva seu povo a fazer algo errado ou que seja contrário à vontade de Deus revelada na Bíblia. Ele nunca orienta ninguém a ser indelicado e descortês. “Sejam compassivos” (1Pe 3.8) é uma ordem divina.  Ele quer que respeitemos tanto as graças menores de gentileza e maneiras amáveis quanto as grandes leis de santidade e justiça.

Ele pode por vezes nos conduzir a caminhos que sejam difíceis para a carne e o sangue, e que nos tragam tristeza e perda nesta vida. Ele levou Jesus ao deserto para ser duramente tentado pelo diabo, para o salão de julgamento de Pilatos e para a cruz.

Ele conduziu Paulo por caminhos que resultaram em prisão, apedrejamentos, açoites, fome e frio, amarga perseguição e morte. Mas ele o sustentou até que proclamou:“De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo” (2Co 12.9-10). Aleluia! Que sejamos conduzidos assim pelo nosso guia celestial!

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