ESQUECEU SEUS DADOS?

Alerta à Igreja: O Destino do Sal Insípido

por / domingo, 27 novembro 2011 / Publicado emA Minha Graça Te Basta...

Por: Mateus Ferraz de Campos

Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens (Mt 5.13).

Essas contundentes palavras de Jesus muitas vezes têm sido interpretadas com leviandade pela maioria dos chamados “discípulos da era pós moderna”. Jesus disse isso aos seus seguidores, não com o objetivo de estabelecer apenas uma metáfora superficial, mas sim para conscientizá-los do devido “peso” da decisão de segui-lo.

O sal, no contexto judaico, tinha um significado muito profundo. Além das características naturais, como conservante e tempero, o sal na cultura judaica antiga fazia parte de um simbolismo todo especial. Em um nível social, comer sal com alguém representava compartilhar de sua hospitalidade, atribuindo a ele sua subsistência. Mais profundo ainda é o fato de que qualquer um que compartilhasse do sal de seu anfitrião tinha a obrigação moral de cuidar de seus interesses.

Em uma esfera ainda mais importante o sal tinha uma relação direta com o ritual mais importante no relacionamento daquele povo com Deus, a oferta. Em Lv 2.13, Deus estabelece que toda oferta deveria ser temperada com sal antes de ser oferecida, o que caracterizava um pacto incorrupto, que não se podia violar. Assim sendo, além da preservação da carne e da adição do sabor, o sal lembrava o povo de Israel de sua aliança imutável e eterna com o grande “Eu sou”. A partir daí surge a chamada aliança de sal (Nm 18.19) que caracterizava uma aliança inquebrável e irrevogável. Isso nos revela uma verdade importantíssima a respeito desse simbolismo bíblico. Quando um judeu se referia ao sal, ele não se referia apenas a um tempero comum. Assim, Jesus não estava apenas fazendo uma metáfora vazia, mas queria passar uma mensagem.

Nós somos o sal da terra, o povo que reflete a aliança do Altíssimo com a humanidade. Nossa salvação se baseia em uma aliança eterna, inquebrável e irrevogável, que deve ser manifestada em nós e através de nós.

O sal salga por natureza. Não é preciso um incentivo, um experimento científico ou uma mistura com outro condimento. Sua natureza é salgada, sua tendência é salgar. Da mesma forma, nossa natureza reflete a aliança com o Todo-Poderoso e nossa tendência constante deve ser a de temperar o mundo e proclamar a aliança.

Mas o que fazer se tal aliança for violada? O que aconteceria se ela fosse simplesmente tratada com descaso? Qual seria o destino do sal insípido? A resposta de Jesus é categórica: “Como restaurar ao sal o seu sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.”

A analogia é a seguinte: Uma vez banalizada a aliança, esta perde o seu valor.

O ritmo frenético da vida moderna tem desviado a igreja de seu verdadeiro propósito. Nossa fé tem se resumido à satisfação instantânea de nossos desejos. O cristianismo moderno tem mais a ver com mel do que com sal. Procura-se mais adoçar a vida do que salgar o mundo.

Valoriza-se mais a obtenção de bens que satisfaçam o ego do que demonstrar o valor da aliança. Inúmeras vezes ressaltamos o iminente castigo sobre aqueles que viram suas costas à mensagem da salvação, mas esquecemos do destino daqueles que devem salgar o mundo com tal mensagem, e negligenciam seu dever. Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens! Este é o destino daqueles que se esquivam do seu papel como discípulo. Será lançado à terra e misturado com o mundo. Deixará de fazer diferença e passará a ser confundido com o chão em que os ímpios pisam.

Note que não é preciso ser veneno, apenas deixar de ser sal. Nosso mundo apodrece dia após dia, nossa sociedade sofre com a influência satânica que a permeia. E nossa função é salgar. É proclamar a aliança que temos com Deus. É deixar de nos corrompermos com o veneno da maledicência, da fofoca, do orgulho e do egoísmo, para impregnarmos o tempero de Cristo na vida das pessoas. É espalhar o bom perfume de Cristo em um mundo mal cheiroso. É proclamar cada vez mais alto a mensagem da cruz, ainda que por causa desta mensagem sejamos perseguidos. A vida cristã não se encerra no momento em que nos tornamos cristãos, ela começa nesse momento! Daí para frente temos o compromisso de ser sal.

A Era do Mel

A partir do Século XIX, com o advento da Revolução Industrial e do Renascentismo, tivemos uma alteração significativa na filosofia de pensamento humano. Até então, de uma forma cega, as pessoas ainda relacionavam sua vida com Deus. A partir da chamada “era das luzes”, quando os pensadores e filósofos passaram por “iluminações” em seu modo de pensar, passamos a vivenciar o antropocentrismo, ou seja, o homem como centro de tudo. A partir daí temos a figura humana como causa e efeito de todas as grandes questões da vida. Deus deixa de ser criador para ser um espectador da evolução das espécies, e o homem assume o controle de sua própria existência e história. Essa ousadia egocêntrica se desenvolve através dos séculos até chegarmos ao ponto máximo do absolutismo da raça humana nos dias atuais. Uma preocupação exacerbada consigo mesmo, refletida no culto ao corpo e à alma. Os deuses agora são os próprios homens, ostentados nos postes do conhecimento, do dinheiro e do poder.

Infelizmente essa filosofia mundana se infiltrou sutilmente em nossas igrejas. Como fruto da influência social, nos deixamos permear com tal pensamento a ponto de invertermos a ordem das coisas em nossa maneira de cultuar. De grande espectador da adoração, Deus passa a ser mais parecido com o “Grande Gênio da Lâmpada” que deve satisfazer todo e qualquer desejo do homem, seja ele condizente ou não com sua suprema vontade. O Grande Senhor agora é questionado e muitas vezes desafiado pelos seus servos que agora determinam, outorgam, exigem e ordenam como senhores de seus próprios destinos. Os templos deixam de ser lugares de adoração, para se tornarem consultórios psiquiátricos e supermercados onde se espera encontrar os mais diversos artigos, desde um carro Okm, até um aumento salarial. Não que essas coisas não possam fazer parte da vida de um cristão, mas o grande problema é que invertemos a ordem dos fatores. Sutilmente reescrevemos a Bíblia: “Buscai primeiro seus interesses e o reino de Deus lhe será acrescentado”.

Esse é o evangelho do mel e não do sal. Nossa aliança com Deus nunca será evidenciada no evangelho antropocêntrico. Enquanto estivermos no centro de tudo, buscando nosso bem estar acima do interesses de Deus, nossa vida não fará diferença alguma em lugar algum. Nesse caso, o sal perde o sabor, e voltamos para a grande pergunta do Mestre: “Como restaurar-lhe o sabor?”

Altares Cheios de Sal

Estamos vivendo a era dos altares cheios, dos apelos atendidos com grande facilidade e do aparente quebrantamento. No entanto, devemos avaliar o que tem levado o povo ao altar: Arrependimento ou auto-preservação? Qual a intenção por trás das lágrimas? Qual a motivação que se esconde debaixo dos joelhos dobrados?

Os altares de nossas igrejas devem estar cheios de ofertas temperadas com sal. Vidas que se ofereçam em sacrifício de holocausto, temperado com a aliança de sal. É hora de voltarmos aos propósitos originais de nossa salvação. De enxergarmos nossa aliança e fazê-la valer em um mundo perverso e corrupto. É hora de cuidarmos dos interesses daquele que um dia compartilhou do seu sal conosco, e atribuirmos a ele nossa subsistência. “Porque por ele, por meio dele e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36).

Enfim, temos um papel a desempenhar. Nós, Corpo de Cristo, somos a misericórdia de Deus com braços e pernas. O grande amor do Pai, demonstrado no Filho, só pode ser conhecido pelos homens através do Espírito de Deus que habita em nós. Até quando ficaremos nos degladiando dentro dos templos, esquecendo da multidão que perece sem Cristo? Não posso imaginar a possibilidade de não sermos questionados por Deus em relação a isso algum dia. Negligenciar a aliança é tornar o sal insípido. E o destino deste sal insípido não é nada agradável. Quando o nosso Mestre voltar, não queremos ser contados entre os imperceptíveis grãos de sal pisoteados pelos homens. Queremos fazer o que nossa essência nos manda fazer: salgar a terra.

“Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros” (Mc 9.50b).

One Response to “Alerta à Igreja: O Destino do Sal Insípido”

  1. tiago da silva diz: Responder

    Um magnifico aprendizado que eu tive.

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